segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Geografia - Teste de Avaliação


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sábado, 29 de agosto de 2015

Geografia - Teste de Avaliação


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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Geografia - Resumo da Matéria


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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Bloco de gelo gigante à deriva

Um bloco de gelo com mais de 14 mil quilómetros quadrados – o equivalente à área dos distritos de Beja e de Faro – desprendeu-se da plataforma Wilkins, no Antárctico, encontrando-se à deriva no mar de Bellingshausen, no Pólo Sul. Há menos de um mês, a British Antarctic Survey (BAS) alertava para esta possibilidade, dizendo que era um milagre ainda não se ter soltado da plataforma continental.

Investigadores do Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha, a bordo do barco ‘Hespérides’, encontravam-se no local a analisar o ritmo a que se processava o degelo, consequência das alterações climáticas.

Gonçalo Vieira, cientista português com investigações na região antárctica, sublinhou a rapidez com que estes fenómenos se estão a verificar. 'A velocidade a que se processam estas mudanças é surpreendente. Em 2002, a plataforma Larsen colapsou em poucas semanas, mas numa área bem mais a norte. A Wilkins está mais a sul, onde as temperaturas deveriam ser inferiores. É preocupante este aumento de temperatura', afirmou o investigador que esteve há duas semanas na região onde este fenómeno se verificou.

Os investigadores espanhóis acreditam que a subida do nível do mar verificada com a fusão deste iceberg com 14 mil km2 será de 2 milímetros.


A fusão desta plataforma irá libertar nutrientes que vão estimular o aumento de plancton, produzindo maior quantidade de alimento para as espécies locais.

O fluxo dos glaciares terrestres em direcção ao mar vai aumentar com a ausência deste bloco de gelo que funcionava como um travão.

André Pereira

domingo, 23 de agosto de 2015

Ano Polar Internacional acabou depois de estudar tudo o que vai dos micróbios às tempestades

Nas profundezas dos mares, polvos de variadas espécies ficaram agora a saber que não estão sós no mundo. Lá em baixo, no oceano austral, vivem ainda os descendentes daqueles que lhes deram origem, há uns 33 milhões de anos. Esta é apenas uma, entre centenas, de descobertas científicas obtidas ao longo do Ano Polar Internacional, que hoje teve o fim oficial.

“Um sucesso”, descrevem os organizadores. Há mais de 50 anos que não havia um esforço deste nível. Uma iniciativa que envolveu 60 países — entre os quais Portugal —, 160 projectos científicos e 940 milhões de euros, levou a que a investigadores de todas as áreas — de base física, natural, social e humanista — se dedicassem a estudar os pólos.

O gelo, o clima, os habitantes nativos, a vida natural, os poluentes, as correntes, nada ficou de fora desta iniciativa. Ontem, a Organização Meteorológica Mundial e o Conselho Internacional para a Ciência lançaram o relatório sobre o Estado da Investigação Polar, onde se dá conta de algumas destas descobertas.

Muitos dos dados recolhidos darão ainda azo a anos de trabalho. Mas há muitas conclusões que já se podem tirar. Uma das mais importantes diz respeito ao impacto das alterações climáticas. Avaliações aprofundadas das calotes polares da Antárctida e Gronelândia tornaram “evidente que estas estão a perder massa e a contribuir para o aumento do nível do mar.”

A Norte, o Árctico já não oferece dúvidas sobre as modificações que sofre. Durante o Ano Polar, a extensão mínima de gelo no Verão diminuiu cerca de um milhão de quilómetros quadrados em relação ao menor valor que já tinha sido observado através de satélite. No meio do Inverno, a camada de gelo era inusitadamente fina.

Observando as relações entre a atmosfera e o oceano, acumulou-se conhecimentos para melhor prever rotas e intensidades das tempestades. Seguiu-se a rota dos poluentes, para perceber como o que se despeja num ponto do globo pode chegar a outro, contaminando toda a cadeia alimentar até que, por fim, várias das piores substâncias regressam a casa do poluidor, e lhe são servidas à mesa.

Foram visitadas zonas não avistadas há 50 anos, usaram-se técnicas que permitem um estudo a uma grande escala e cruzaram-se informações de várias disciplinas. Descobriu-se uma imensa variedade de formas de vida e confirmou-se que já há espécies a migrarem em direcção aos pólos, fugindo do aquecimento nas águas onde costumavam viver.

Já outros sentem mais dificuldades de adaptação. É o caso das renas no Árctico, afectadas quer pelas mudanças no clima quer pela ocupação do seu habitat pelos homens.

No final deste esforço, todos apelam a que se continue a incentivar a investigação polar, cada vez mais urgente já que se comprovou que o que acontece nestas regiões afecta todo o mundo.

Em finais de Março, os trabalhos dos cientistas portugueses serão divulgados em Lisboa.

Ana Fernandes

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Cientistas avisam que nível do mar pode subir mais do que o previsto

O nível do mar poderá subir mais do que se previa, alertaram ontem cientistas reunidos em Copenhaga. Segundo vários especialistas, os últimos cenários do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) são conservadores, não levando em conta factores agora melhor estudados.

O IPCC previa que o nível do mar poderia subir entre 18 e 59 centímetros, até 2100. Mas agora apontam-

-se valores maiores. "O limite superior do aumento do nível do mar até 2100 poderá ser de um metro acima da média global", disse Konrad Stef-fen, investigador da Universidade de Colorado, Estados Unidos.

Há, por exemplo, dados novos sobre a Gronelândia, cuja temperatura aumentou quatro graus Celsius desde 1991, segundo um artigo de Steffen - um dos 1600 que foram submetidos à conferência de Copenhaga. A área gelada que se funde no Oeste do continente aumentou em 30 por cento entre 1979 e 2008.

Dados recentes de satélites indicam que o nível do mar tem subido cerca de três milímetros por ano desde 1993. É um ritmo "muito acima da média do século XX", afirmou John Church, do Centro para Investigação Meteorológica e do Clima da Austrália, citado num comunicado.

A conferência de Copenhaga é organizada por de dez universidades da Dinamarca, Suíça, Austrália, Singapura, China, EUA, Reino Unido e Japão. O objectivo é produzir uma síntese do que há de novo, em termos de investigação, desde o último relatório do IPCC, divulgado em 2007 mas baseado na produção científica até 2005.

Uma das áreas em que o conhecimento avançou é precisamente a da subida do nível do mar. O programa da conferência inclui 39 trabalhos sobre o assunto. Segundo Eric Rignot, da Universidade Irvine na Califórnia, acredita-se hoje que a Gronelândia e a Antárctida estão a contribuir mais e mais rapidamente para a subida dos oceanos do que se imaginava.

Do outro lado do Atlântico, em Nova Iorque, uma outra conferência reúne cerca de 700 pessoas - incluindo cientistas, economistas e analistas políticos - em torno da tese de que não existe uma crise climática global. É a segunda reunião do género dos "cépticos" do aquecimento global, promovida pelo Instituto Heartland - que se define como defensor do mercado livre.

Para os cépticos, as alterações climáticas não são um problema, nem têm origem humana. Muitos defendem que a actividade do Sol é que comanda as variações climáticas ou que o aquecimento recente resulta da recuperação da "Pequena Idade do Gelo", que terminou em 1850. Os seus argumentos, até agora, não conseguiram convencer a maior parte da comunidade científica mundial.

Ricardo Garcia

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Plantas zangadas confirmam mudanças climáticas na Antárctida

Não queira ver o fitoplâncton zangado. Estas microscópicas plantas do mar estão na base de uma cadeia alimentar nas águas que cercam a península da Antárctida e quando estão infelizes, tudo o que depende delas pode sofrer as consequências, incluindo peixe e pinguins. Um novo estudo publicado ontem na Science revela que uma parte deste fitoplâncton tem ficado cada vez mais “chateado” nos últimos 30 anos.

Como a maioria das plantas, fitoplâncton precisa de alimento e luz do sul para sobreviver. Para as espécies que vivem longe da costa oeste da península da Antárctica, a obtenção destes meios essenciais tem sido um desafio cada vez maior, algo que se pode constatar com a diminuição de 12 por cento registada nas última três décadas nas populações de fitoplâncton.

Investigadores do EUA perceberam este dado olhando para informação recolhida por satélite para seguir as pistas da quantidade de clorofila – um sinal da fotossíntese do fitoplâncton. – nas águas ao sul da península da Antárctica que aponta na direcção da América do Sul. Esta área é um bom local para procurar sinais das mudanças climáticas porque, no Inverno, aquece mais rápido do que qualquer outro lugar na terra. O fitoplâncton é um excelente marcador para as mudanças climáticas porque respondem rapidamente, por vezes no espaço de apenas um dia, à variação do ambiente e também porque há uma longa cadeia alimentar que depende da sua sobrevivência

O sol faz o fitoplâncton feliz

Devido às alterações nos padrões da atmosfera que rodeia a península – possivelmente, devido às mudanças climáticas - há actualmente céu nublado onde antes havia sol e vice-versa, diz um dos autores do estudo Martim Montes-Hugo da Rutgers University. No sul da península, as nuvens estão a diminuir e o sol está a derreter o mar gelado, libertando mais água para o sol penetrar, afirmou Montes-Hugo à Reuters. “Há mais água e por isso há penetração da luz, por isso o fitoplâncton está feliz no sul”, referiu.

No norte da península há mais nuvens e o mar de gelo está ainda mais reduzido. Aqui, a mudança de padrões atmosféricos trouxe mais ventos para agitar as águas, o que leva o fitoplâncton para maiores profundidades. Nestes níveis mais profundos estas pequenas plantas captam menos sol. “Isto enfurece o fitoplâncton”, refere Montes-Hugo. Como ouras plantas, o fitoplâncton absorve os dióxido de carbono responsável pelo efeito de estufa. Menos fitoplâncton significa menos dióxido de carbono absorvido. Uma diminuição de fitoplâncton na península da Antárctida significa menos comida para os pequenos crustáceos que, por sua vez, servem de alimento a peixes e por aí em diante na cadeia alimentar que chega até aos pinguins e outros animais.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Experiência que lançou ferro ao oceano para retirar CO2 da atmosfera com poucos resultados

A maior investigação de fertilização dos oceanos com ferro para retirar parte do dióxido de carbono que existe em excesso na atmosfera não está a resultar, pelo menos nas condições feitas pela Lohafex.

O projecto conjunto entre a Alemanha e a Índia tinha como objectivo lançar cerca de seis toneladas de ferro no Oceano Antárctico para estimular o crescimento das algas, que fixam o CO2 atmosférico. Esperava-se que as algas se depositassem no fundo do oceano depois de morrerem, acumulando aí o CO2 fixado. Mas não, os cientistas da Lohafex adiantaram que pouco dióxido de carbono tinha saído do ciclo natural.

“Tinha havido esperança que fôssemos capazes de retirar algum do excesso de dióxido de carbono – num certo sentido voltar a pô-lo de onde ele veio, porque o petróleo que estamos a queimar era originalmente feito pelas algas”, explicou, citado pela BBC News Victor Smetack, do Instituto de Alfred Wegener na Bremerhaven. “Mas os nossos resultados mostram que a quantidade vai ser pequena, quase negligenciável.”

Os responsáveis da expedição sublinham que o projecto tem proporcionado muita informação científica, mas que a fertilização não teria impacte na redução do maior responsável pelo efeito de estufa da Terra, pelo menos naquele local.

O metal deitado ao mar, numa área de 300 quilómetros quadrados, iria estimular o crescimento do fitoplâncton – algas muito pequenas. Para crescerem e multiplicarem-se, as algas precisam do CO2, que retiram do ar. Há quase dez anos que se investiga nesta área e esperava-se que quando as algas morressem, o material orgânico se depositasse no fundo do oceano ficando aí acumulado o CO2 durante um longo período de tempo, longe da atmosfera.

Em vez disso o fitoplâncton passou a ser comido por copépodes – artrópodes minúsculos que fazem parte do zooplâncton – que por sua vez foram comidos por crustáceos maiores. A maioria do CO2 manteve-se assim na teia alimentar e voltou à atmosfera. Muito pouco foi acumulado no fundo dos oceanos. “Isto quer dizer que o Oceano Antárctico não pode sequestrar a quantidade de dióxido de carbono que esperávamos”, concluiu o professor Smetacek.

Uma questão importante é o tipo de algas que crescem quando existe mais ferro disponível no ambiente. Investigações que já foram feitas mostraram que o ferro promove o crescimento de diatomáceas, organismos com uma carapaça de sílica. Mas no local da experiência de Lohafex não havia sílica suficiente para o crescimento destes organismos.

Alguns cientistas já tinham argumentado que nem sempre é a (pouca) quantidade de ferro que limita o crescimento das algas, e previam que a aposta neste elemento seria ineficaz. Estes resultados parecem dar razão aos cientistas.

A Greenpeace esteve desde o início contra este projecto, argumentando que a expedição ia poluir o oceano ao lançar ferro para a água.

“Há duas coisas que nos preocupam”, disse David Santillo à BBC News, cientista da Greenpeace. “Primeiro, há um impacto directo das experiências, e à medida que a escala das experiências vai aumentando, há um potencial maior para que ocorram um impacto directo dessas experiências.”

“Mas a segunda preocupação, que é mais abrangente, é que se vamos continuar a trabalhar nisto como uma estratégia de mitigação climática, então estamos a olhar para um mundo onde dependemos da manipulação do oceano a uma escala realmente enorme e isso teria sem dúvida consequências grandes e possivelmente irreversíveis no ecossistema dos oceanos.”

No início do ano, o Governo alemão pôs o projecto em compasso de espera devido a estes avisos, mas posteriormente deu luz verde. Neste momento, a posição oficial do instituto é contra um uso sistemático do ferro para reduzir o gás. “Com base nos conhecimentos actuais, o Instituto Alfred Wegener opõe-se a uma utilização em larga escala de fertilização de ferro [no oceano] como objectivo de reduzir o CO2 para regular o clima”, diz um comunicado assinado pelo director do instituto, Karin Lochte.

A empresa Climos está a planear uma experiência com o mesmo sistema numa área ainda maior de 40.000 quilómetros quadrados no oceano. Espera receber subsídios através do mercado global de carbono se conseguir demonstrar através da técnica que pode sequestrar grandes quantidades de CO2.

sábado, 15 de agosto de 2015

Aumento súbito de partículas poluentes contribui para elevar risco de morte

O aumento súbito de pequenas partículas poluentes na atmosfera contribui para elevar o risco relativo de morte, revela o primeiro estudo realizado em Portugal para quantificar o efeito da poluição na mortalidade da população de um concelho.

O estudo desenvolvido pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA) insere-se no projecto RiskarLx e visou avaliar o efeito da poluição atmosférica por partículas na mortalidade dos residentes no concelho de Lisboa entre 2000 e 2004.

Como variáveis, os investigadores contabilizaram a concentração média diária de PM10 (partículas em suspensão na atmosfera com dimensão inferior a 10 microns - unidade que corresponde à milésima parte do milímetro), entre outras.

"O que se pretendeu compreender foi qual a influência da variação súbita das PM10 na mortalidade", explicou a investigadora do INSA Rita Nicolau, frisando que o "impacto é pequeno mas o efeito atinge muitas pessoas".

Do estudo concluiu-se que o acréscimo de 10 microgramas por metro cúbico de PM10 eleva o risco relativo da mortalidade em 0,66 por cento, considerando todas as idades e sexos.

Verificou-se também que o efeito nocivo da poluição atmosférica tende a agravar-se com a idade dos indivíduos.

O risco relativo de morte aumenta 0,85 por cento nos indivíduos com mais de 65 anos e 1,22 por cento nos indivíduos com mais de 75 anos.

Estes dados foram inferidos com base nos casos de mortalidade independentemente das suas causas, com exclusão dos acidentes.

O estudo analisou mais especificamente o efeito do aumento das PM10 nas mortes causadas por doenças do aparelho circulatório e respiratório.

Nas mortes causadas por doenças do aparelho circulatório, o estudo estima que o risco relativo suba para 1,15 por cento.

Quanto à mortalidade associada a doenças do aparelho respiratório, o estudo só permitiu determinar um aumento de risco para os mais idosos, que foi de 2,24 por cento nos indivíduos com mais de 75 anos.

O estudo visou a "poluição de fundo", aquela que é "permanente", e não directamente relacionada com tráfego, medida na estação dos Olivais.

O Projecto RiskarLX é financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e é coordenado pelo Departamento de Ciências Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Este estudo vai ser apresentado hoje no Instituto de Meteorologia a propósito do Dia Meteorológico Mundial, este ano dedicado ao tema "O tempo, o clima e o ar que respiramos".

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Árctico pode ficar sem gelo três vezes mais cedo do que se previa


O oceano Árctico pode ficar todo azul, quase sem gelo, três vezes mais cedo do que se previa, diz um novo estudo de cientistas norte-americanos. Uma nova análise de modelos computorizados, reunida com as mais recentes medições da quantidade de gelo que resta durante o Verão no Pólo Norte, indica que o Árctico pode perder a maior parte da sua cobertura gelada durante o Verão já daqui a 30 anos.

“O Árctico está a mudar mais rapidamente do que se antecipava”, comentou James Overland, um dos autores do artigo que em breve será publicado na revista científica “Geophysical Research Letters”. “Isto acontece devido à combinação da variabilidade natural com uma subida na temperatura do ar e do mar, causada pelo aumento da concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera”, diz Overland, citado num comunicado de imprensa da União de Geofísica Americana, que publica esta revista.

Mas o gelo não desaparecerá completamente na estação mais quente. Será é muito reduzido. No fim do Verão de 2037, a área coberta por gelo no Árctico pode ser apenas um milhão de quilómetros quadrados, quando hoje se estende por 4,6 milhões de quilómetros quadrados. 

E em que é que isto nos afecta? Por um lado, abrir-se-ão rotas para os navios de mercadorias, poupando milhares de quilómetros nas rotas que fazem a travessia do Pacífico para o Atlântico. E poderá ser mais fácil chegar a alguns recursos naturais nas zonas costeiras, como minerais e gás natural, ou petróleo. 

Mas provocará também grandes mudanças nos ecossistemas: por exemplo, desaparecimento de alguns recursos pesqueiros, que se movem mais para Norte. Mas isso também pode ser uma bênção, para os países que pescam mais para o topo do mundo. Outras plantas e animais, como os ursos polares, podem é ter neste desaparecimento dos gelos o seu momento final. 

Estas novas projecções baseiam-se na análise dos 23 modelos dos efeitos do aquecimento do planeta usados pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, um grupo que trabalha sob a égide das Nações Unidas). Desses, foram escolhidos seis, que representam de forma mais próxima da realidade o que se poderá passar com o gelo, explicou Muyin Wang, a principal autora do estudo. Esses foram comparados com as medições mais recentes do gelo no Árctico, de forma a calibrar as projecções.

Os seis modelos mostram que, quando a extensão de gelo se resume a 4,6 milhões de quilómetros quadrados no Verão (em 2007 até chegou a 4,3 milhões), começa a diminuir acentuadamente a acumulação do gelo. Fazendo uma média das previsões dos seis modelos, dentro de 32 anos o Árctico estará praticamente livre de gelo dentro de 32 anos. 



Público

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Metano no Árctico ameaça a vida

Um dos maiores temores dos cientistas que acompanham as mudanças climáticas está no fundo congelado do oceano Árctico. Sob o leito do mar estão os maiores depósitos de metano, um gás várias vezes mais poderoso do que o dióxido de carbono para aumentar a temperatura da Terra e destruir o clima que conhecemos desde os primórdios da civilização.

Cientistas registaram um aumento da libertação de mais 30% na quantidade desse gás metano da camada subterrânea de gelo permanente do Árctico, nos últimos quatro anos. Isto devido ao aquecimento das correntes marítimas na zona e ao derretimento do permafrost (solo congelado), que retém milhares de milhões de toneladas de metano, o que deve levar a um aumento de 10 graus centígrados na temperatura média da região até 2100.

Os depósitos de metano são importantes porque os cientistas crêem que o seu escape foi responsável, em épocas passadas, por mudanças climáticas bruscas e até pela extinção de muitas espécies.

É a primeira vez que a libertação de metano do fundo do mar é identificada na história recente da Terra. Embora a maior parte do metano se dissolva na água, parte chega à atmosfera e incrementa o aquecimento global.

Acredita-se que o metano contribuiu para os grandes períodos de aquecimento rápido da história da Terra, quando houve também grandes extinções de espécies. O detalhe é que esses grandes aumentos de temperatura do Planeta, provocados por fenómenos naturais, levaram milhares de anos para ocorrer, enquanto a mudança climática actual, provocada por emissões poluentes humanas, é medida em décadas.

Até recentemente, esta região de permafrost era considerada estável, mas agora os cientistas acreditam que a libertação de um gás de efeito-estufa tão poderoso pode acelerar o aquecimento global.

Os arrozais da China e do Sudeste Asiático produziram um terço das emissões mundiais de metano: 33 milhões de toneladas. Apenas 2% vem das regiões árcticas, embora seja ali que os maiores aumentos são registados.

A elevação de 30,6% nas emissões do Árctico, no período entre 2003 e 2007, para cerca de 4,2 milhões de toneladas, foio maior aumento percentual para qualquer região pantanosa, segundo a revista ‘Science’.

O metano é um dos gases que provocam o efeito-estufa e é 20 vezes mais potente do que o CO2 no seu efeito de aprisionar o calor na atmosfera.

Cientistas da Alemanha e do Reino Unido descobriram 250 colunas de bolhas de metanoa subir do fundo do mar numa plataforma de West Spitsbergen, uma ilha da Noruega.

O metano é o mais importante gás do aquecimento global, seguido do dióxido de carbono, e responde por cerca de 18% do efeitode aprisionamento do calor do Sol na atmosfera terrestre causado por actividades humanas. Outro problema causado pelo metano é que, enquanto ele se dissolve na água do mar, aumenta a acidez do oceano. O mar já está a absorver parte do excesso de gás carbónico que lançamos na atmosfera, ficando ácido por isso. Teme-se assim que aacidez progressiva possa afectara base da vida marinha, comprometendo a sobrevivência de peixes e de crustáceos.

sábado, 8 de agosto de 2015

Sete furacões varrem Atlântico


Os EUA preparam-se para mais uma temporada de ciclones, que se inicia segunda-feira e termina a 30 de Novembro. São esperadas 14 tempestades e sete furacões, segundo a Agência Nacional de Atmosfera e Oceanos (NOAA), uma temporada mais suave do que a passada, em que ocorreram 16 tempestades e oito furacões. Isto porque as temperaturas da superfície do oceano são levemente mais frias e os ventos mais fortes na parte alta da atmosfera sobre o Atlântico.




Aliás, a temporada de furacões de 2008 foi uma das mais activas dos últimos sessenta anos. Com 16 tempestades tropicais, oito furacões, cinco deles de categoria máxima, causou grande destruição e um alto número de mortos, principalmente no Haiti, em Cuba e nos Estados Unidos.

Mesmo assim, dizem os especialistas que há 50% de hipóteses de a temporada de furacões se situar num nível próximo do normal, o que corresponde a uma média de 11 tempestades com nome, seis furacões, dois dos quais de categoria máxima (de 3 a 5 na escala Saffir-Simpson).

Hoje, são cerca de 35 milhões os norte-americanos que vivem nas regiões mais ameaçadas por furacões no Atlântico, e ainda está na memória de todos o ‘Katrina’, que em 2005 causou enormes estragos em cinco Estados do Sul dos Estados Unidos: Florida, Georgia, Mississipi, Alabama e Louisiana, sendo que a cidade de Nova Orleães foi a mais atingida e aquela em que se registou maior número de vítimas. O ‘Ike’, categoria 4, deixou centenas de vítimas antes de chegar aos EUA, já enfraquecido.

As previsões para este ano revelam 54% de probabilidades de pelo menos um furacão de categoria 3, 4 e 5 atingir a costa norte-americana. No estado da Florida, as probabilidades são de 32%, e na costa do Golfo do México o risco corresponde a 31%.

TENTATIVAS PARA ENFRAQUECER O FENÓMENO

Nos anos 60 e 70, o governo dos Estados Unidos tentou enfraquecer furacões pulverizando tempestades com iodeto de prata (a China utilizou esta técnica como tentativa de induzir tempestades para diminuir a poluição atmosférica nos Jogos Olímpicos de Pequim).

Esta experiência, que acabou por ser inconclusiva, procurava testar a teoria de que a pulverização aumentaria a precipitação fora do núcleo da tempestade, provocando o seu colapso e consequentemente a diminuição dos ventos.

Alguns meteorologistas acreditam que pequenas mudanças de temperatura dentro e em redor de um furacão podem mudar o seu padrão ou afectar a intensidade.

TEMPORADA COMEÇA COM 'ANA' E 'BILL'

Uma temporada normal de furacões tem em média 11 tempestades tropicais, incluindo seis furacões, dos quais pelo menos dois costumam ser de grande intensidade.
A primeira tempestade tropical da temporada 2009 levará o nome de ‘Ana’ quando alcançar 62 km/h.

As tempestades tropicais tornam--se furacões quando alcançam 119 km/h e passam a ser de grande intensidade quando superam os 178 km/h. Seguir-se-ão outros: ‘Bill’, ‘Claudette’, ‘Danny’, ‘Erika’, ‘Fred’.

FURACÃO À LUPA

Em 1971, o engenheiro H. Saffir e o meteorologista Bob Simpson desenvolveram a Escala Saffir-Simpson, que classifica a intensidade dos ciclones tropicais. O aquecimento das águas do Atlântico é responsável pela formação dos furacões.

FURACÕES DEVASTADORES

Lista de alguns dos furacões mais mortíferos que atingiram os EUA desde 1900 classificados com base no número de mortes provocadas, no total mais de 13 500

‘Galveston’ (Texas, 1900): 8000 mortos

Sem nome (Florida, 1928): 2500 mortos

‘Katrina’ (Louisiana e Mississipi, 2005): 1500 mortos

Sem nome (Ilhas Key, Florida, 1935): 408 mortos

‘Audrey’ (Louisiana e Texas, 1957): 390 mortos

Sem nome (Florida e Texas, 1919): 287 mortos

‘Camille’ (Louisiana, Virginia e Louisiana, 1969): 256 mortos

‘Agnes' (Florida, 1972): 122 mortos

‘Hazel’ (Carolina do Norte e Carolina do Sul, 1954): 95 mortos

‘Betsy’ (Nova Orleães, 1965): 75 mortos

‘Floyd’ (Costa Leste dos EUA, 1999): 56 mortos

‘Donna’ (Leste dos EUA, 1960): 50 mortos

‘Carla’ (Texas, 1961): 46 mortos

‘Hugo’ (Carolina do Sul, 1989): 32 mortos

'Andrew' (Florida e Louisiana, 1992): 29 mortos

'Ivan' (Florida e Alabama, 2004): 25 mortos

'Charley' (Florida, 2004): 23 mortos

CATEGORIAS

1. VENTOS DE 120 A 152 KM/H
Pequenas inundações. Leves estragos materiais. Vagas 1,5 m superiores à média

2. VENTOS DE 153 A 177 KM/H
Telhados e árvores danificados. Vagas 2,5 m superiores à média

3. VENTOS DE 178 A 209 KM/H
Estruturas danificadas. Inundações graves. Vagas 3,7 m superiores à média

4. VENTOS DE 210 A 247 KM/H
Destruição de telhados. Estruturas gravemente danificadas. Vagas 5,5 m superiores à média

5. VENTOS SUPERIORES A 248 KM/H
Destruição total de edifícios. Inundações em zonas do interior. Vagas com mais de seis metros

NOMES DOS FURACÕES PARA 2009

Ana

Bill

Claudette

Danny

Erika

Fred

Grace

Henri

Ida

Joaquin

Kate

Larry

Mindy

Nicholas

Odette

Peter

Rose

Sam

Teresa

Victor

Wanda

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Medida para salvar gelo do Árctico

Reduzir em 70 por cento as emissões de gases com efeito de estufa, sobretudo de CO2, durante este século, seria suficiente para salvar os gelos do Árctico e evitar consequências dramáticas nas alterações climáticas, revela um estudo científico que será publicado na edição da próxima semana da revista 'Geophysical Research Letters', divulgado esta quarta-feira em Washington.



Investigadores do National Center for Athmospheric Research (NCAR) descobriram que esta redução seria suficiente para diminuir quase para metade o aquecimento no Árctico, ajudando a preservar as pescas e as populações de aves marinhas e de animais polares, como os ursos brancos, nomeadamente a Norte do mar de Bering.



Apesar de os estudos mostrarem que já não é possível evitar “um aquecimento importante do planeta no século XXI”, os cientistas concluíram que reduzir as emissões poderia significar a estabilização da “ameaça apresentada pelas alterações climáticas e evitar uma catástrofe”, como a fusão da calote glaciar ou a subida do nível dos oceanos.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Ponte de gelo gigante ruiu na Antárctida

Uma ponte de gelo que ligava a um vasta região gelada na Antárctida do tamanho da Jamaica a uma pequena ilha colapsou ontem e os cientistas consideram que se trata de uma consequência do aquecimento global. “É espantoso como o gelo ruiu. Há dois dias estava intacto. Esperámos muito para ver isto”, disse à Reuters David Vaughan, investigador do British Antarctic Survey.

A gigantesca plataforma de gelo tem vindo a diminuir desde 1990 e esta foi a primeira vez que se perdeu uma das ligações, que partiu no ponto mais fino registado nos 40 quilómetros da faixa de gelo, adiantou a BBC. Imagens de satélite captadas pela Agência Espacial Europeia mostram uma faixa de gelo com cerca de 40 quilómetros que mantém a plataforma de gelo Wilkins Ice Shelf no lugar a despedaçar-se no ponto mais frágil, com cerca de 500 metros de largura. Na parte ocidental da península da Antárctida ficaram a boiar novos icebergs, adiantou a BBC.

“A ilha de Charcot vai ser, pela primeira vez na história, uma verdadeira ilha”, disse Vaughan à Reuters. Uma das consequências é que as correntes poderão agora continuar a desfazer a plataforma de Wilkins.

Nos últimos 50 anos já desapareceram cerca de 50 plataformas de gelo na Antárctida, como a Larsen A em 1995 e a Larsen B em 2002. Algumas estariam formadas há cerca de 10 mil anos, e a formação de cada uma demorou várias centenas de anos.

Naquela região a temperatura aumentou pelo menos 3 graus Celsius nos últimos 50 anos. “Acreditamos que o aquecimento na Península da Antárctida está relacionado com as alterações climáticas globais, ainda que a ligação não seja totalmente clara”, adiantou Vaughan.

domingo, 2 de agosto de 2015

Novas imagens de satélite mostram que o gelo do Árctico está a recuar e é cada vez mais fino

Novas imagens de satélite divulgadas pela NASA (agência espacial norte-americana) e pela Universidade do Colorado mostram que o gelo do Árctico não só continua a recuar como está cada vez mais fino, foi ontem revelado.

Os novos dados de satélite mostram que "a tendência da última década de recuo do gelo continua", revela a NASA em comunicado. O Inverno de 2008-2009 foi o quinto com menor quantidade de gelo desde que há registos, ou seja, desde 1979, revelam os investigadores, que têm vindo a monitorizar o gelo que cobre o oceano Árctico com satélites.

Além disso, uma outra equipa da Universidade do Colorado, coordenada por Charles Fowler, descobriu que o gelo mais antigo e espesso está a ser substituído por gelo mais recente e fino. Este último, mais fácil de derreter no Verão, tornou-se, nos últimos cinco anos, o tipo de gelo dominante.

Até recentemente, as medições mostravam que a maior parte do gelo árctico conseguia sobreviver, pelo menos, um Verão ou vários. Mas a situação mudou e a agora o gelo sazonal – que derrete e volta a formar-se todos os anos – cobre 70 por cento do gelo do oceano árctico durante o Inverno; nos anos 80 essa percentagem era de apenas 40 por cento, lembrou Walt Meier, da Universidade do Colorado. O gelo mais espesso que durou dois ou mais anos cobre agora apenas dez por cento.

“A dimensão do gelo é um indicador importante da saúde do Árctico. Mas só nos dá uma visão bidimensional da cobertura do gelo”, explicou Meier. “A espessura é importante, especialmente no Inverno, porque é o melhor indicador do bom estado da cobertura de gelo. À medida que esta cobertura no Árctico se torna mais fina, torna-se mais vulnerável ao calor no Verão”, acrescentou.

Os cientistas acreditam que o gelo no oceano árctico funciona como um ar condicionado que arrefece naturalmente o sistema climático global e as massas de água. Além disso, tem um papel crucial na circulação oceânica e reflectindo a radiação solar de volta ao espaço.

Ontem, pela primeira vez, realizou-se em Washington uma reunião conjunta dos países signatários do Tratado da Antárctida e do Conselho para o Árctico e foram debatidas as grandes alterações que afectam ambos os pólos.
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