sexta-feira, 31 de julho de 2015

Mar virou deserto

O Mar de Aral, considerado o maior lago da Euroásia depois do Cáspio, deixou de existir como unidade geográfica. Quarenta anos de má gestão humana bastaram para reduzir a um terço o seu tamanho, e só um milagre o salvará da dessecação total.



É hoje uma das mais espectaculares regiões do Mundo, não só pelas surrealistas paisagens que ali se descobre, com inúmeros barcos de pesca encalhados num mar de sal e de areia, quando ainda há vinte anos navegavam em águas profundas, mas sobretudo porque nunca se tinha dado oportunidade ao homem de observar com uma tal rapidez o resultado das suas acções e da degradação do meio ambiente daí resultante.

A causa do que alguns especialistas consideram uma das maiores catástrofes ecológicas dos últimos anos é clara: um brutal plano de regadio para as plantações de algodão em 7,5 milhões de hectares desenvolvido pela antiga URSS entre os anos 70 e 80 do século passado.

Nos seus tempos áureos, este mar interior da Ásia central era o quarto maior lago do Planeta e a sua actividade pesqueira dava emprego a 60 mil pessoas nos anos 50 – dali retiravam cerca de 50 mil toneladas de peixe por ano. Agora, as capturas estão reduzidas a zero, o limite das águas retrocedeu 100 quilómetros e o seu volume total ficou reduzido a uma quarta parte do que foi.

A tragédia do Mar de Aral tem sido tema de conferências internacionais patrocinadas pela ONU, nas quais os especialistas se concentraram mais no problema de salvar a zona envolvente do que tratar de dar nova vida ao mar, tarefa considerada praticamente impossível.

Não é só a perda do Aral, como também as consequências que uma mudança tão radical do ecossistema impôs à zona envolvente, e que agora se estão a notar com toda a dureza. Por causa da drástica redução do volume, a salinidade das águas triplicou e a superfície antes coberta por água está agora convertida num imenso deserto.

Para milhões de pessoas que vivem nas suas margens, a situação é dramática: doenças congénitas, cancro e malformações, e um alarmante aumento da mortalidade infantil.

CURIOSIDADES

A ENCOLHER

O Mar de Aral vai continuar a encolher nas próximas décadas. A sua superfície é um terço da que se verificava em 1960.

SALINIDADE

A salinidade atingiu os 35 gramas por litro, quando há quarenta anos era de dez gramas por litro.

DOIS LAGOS

O mar está agora dividido em dois lagos. Foi construído um dique para separar completamente as duas partes.

PÓ VEVENOSO

O vento recolhe, anualmente, entre 40 e 150 toneladas de uma mistura tóxica de pó, deixando improdutivo o solo agrícola envolvente ao mar.

RECUO

Os antigos portos pesqueiros encontram-se agora a mais de cem quilómetros das suas águas.

Mário Gil

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A Atmosfera

A atmosfera:
  
Ao longo da história e formação do nosso planeta, a atmosfera já sofreu diversas mudanças. Poder-se-á dizer que estamos na 3ª fase da atmosfera, o que significa que já houve antes 2 fases em que a atmosfera era completamente diferente da actual, tendo na sua composição uma mistura de gases que era mortífera para a actual vida terrestre.
A composição actual da atmosfera terrestre, pelo menos nos primeiros 100 km de altitude, é a seguinte:

Azoto (Na)
78.08%
Oxigénio (O)20.94%
Árgon (Ar)0.93%
Vapor de água (H2O)0 a 4 %
Dióxido de carbono (CO2)325 ppm  ppm = partes por milhão, ou seja, em cada 1 000 000 existem "x"
Neón (Ne)18 ppm        é quase como a percentagem, mas em vez de ser "por 100"
Hélio (He5 ppm        é por 1 000 000
Criptón (Kr)1 ppm
Hidrogénio (H)0.5 ppm
Ozono (O3)0 a 12 ppm

Além destes gases, ainda existem outras substâncias em suspensão: fumos, pólens, cinzas, poeiras, sais, microrganismos....

Daqueles gases todos, os mais importantes (para já) são os dois primeiros: o Azoto e o Oxigénio, e como se pode verificar, ao contrário do que muitas pessoas ainda pensam, o elemento mais abundante na atmosfera, no ar que respiramos, é o azoto e não o oxigénio.

Existem várias maneiras de estudar e fazer uma divisão em camadas, da atmosfera: podemos fazê-lo tendo em conta a composição química; tendo em conta a ionização das partículas; e a mais simples e conhecida é a que tem por base a variação da temperatura.

A imagem ao lado, mostra a divisão da atmosfera, tendo por base a variação da temperatura. Comecemos por identificar na imagem elementos importantes para a sua interpretação:- no eixo da esquerda está representada a altitude (em km).
- no eixo horizontal (das abcissas - em baixo), está representada a temperatura e, essa recta está situada a 0 metros de altitude.
- uma curva em linha cheia (sem estar tracejada) indica a variação da pressão atmosférica.
- a tracejado, estão representados os limites das diferentes camadas e a curva (em "ziguezague") da variação da temperatura.
Postas estas explicações, podemos partir para a análise da figura:

  1. Verifica-se que está dividida em em quatro camadas, que são aTroposfera, a Estratosfera, a Mesosfera e a Termosfera.
  2. A separar estas camadas (e representadas por um tracejado) estão a Tropopausa (entre a troposfera e a estratosfera), a Estratopausa (entre a estratosfera e a mesosfera), e a Mesopausa (entre a mesosfera e a termosfera).
  3. Verifica-se, pela linha a tracejado e em "ziguezague" (a linha da variação da temperatura), que a temperatura, em cada camada, tem "tendências" diferentes. Assim, Observa-se que na Troposfera a temperatura diminui conforme a altitude vai aumentando (repara-se que a 0 metros de altitude a temperatura é superior a 0oC e no limite superior da troposfera, - a tropopausa, a aproximadamente 12 km de altitude- a temperatura é cerca de 50oC negativos). Na estratosfera a temperatura volta a aumentar, atingindo no seu limite - a estratopausa - um valor próximo dos 0oC.  Na Mesosfera a temperatura continua a

aumentar, mas depois ao atingir uma área conhecida por "camada quente" ela começa outra vez a diminuir. Na termosfera, a temperatura torna a aumentar.
  1. Ao observar a linha da pressão atmosférica (linha a cheio), verifica-se também que a pressão diminui com a altitude.
A camada que mais interessa estudar (por agora) é a TROPOSFERA, que é a camada inferior da atmosfera, a que está em contacto com a superfície da Terra e é nela que acontecem os mais importantes fenómenos meteorológicos (chuva, trovoadas, relâmpagos, arco-íris, nuvens, ventos, etc...), e onde existe uma mistura de gases ideais para a vida terrestre. Também é a camada mais agitada.
Como se verificou, na troposfera a temperatura diminui com a altitude. A temperatura diminui em média, cerca de 6oC por cada 1000 metros, ou seja se ao nível do mar (0 metros) a temperatura for, por exemplo, 18oC, e começarmos a subir uma montanha ali pertinho do mar, se essa montanha tiver 1000 metros, isso significa que no cimo da montanha estarão aproximadamente 12oC (18oC-6oC=12oC).
É na Troposfera que a composição do ar é mais constante: azoto, oxigénio, dióxido de carbono e vapor de água, permitindo assim um ar respirável pelos seres vivos. Contudo, por ser nesta camada que existe a vida, é também esta camada que está mais sujeita à poluição e é assim também, a camada mais suja, principalmente nos primeiros 3000 metros de altitude.

Finalmente, e também já observado na figura, é de realçar e não esquecer que na troposfera a temperatura diminui com a altitude.
         


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Circulação geral da atmosfera

















Índice
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Introdução:

O existência de ar é, para todos nós, um aspecto tão vulgar que nos passa despercebido. No entanto, o ar, é algo material. Quase ninguém se apercebe que (ao nível do mar - 0 metros), a atmosfera exerce uma pressão de aproximadamente 1 kg por cada centímetro quadrado. É a este "peso", a esta "força", que se dá o nome de pressão atmosférica.
   Qualquer instrumento utilizado para medir a pressão atmosférica chama-se barómetro.
Umas das primeiras experiências com barómetros, foi realizada por Torricelli (físico italiano - 1643).  A experiência dele consistia no seguinte:

Encheu-se de mercúrio (completamente), um tubo de vidro com 1 metro de comprimento. Esse tubo apenas estava aberto numa extremidade. Em seguida colocou-se esse tubo numa tina (vazia) e, verificou-se que havia mercúrio que saia do tubo para a tina, mas só até determinada quantidade... ou seja, parte do mercúrio do tubo passava para a tina, ficando o tubo com apenas 76 cm de mercúrio (ou 760 milímetros). Também se verificava que havia dias em que havia um pouco menos de mercúrio no tubo, e noutros dias parecia que o mercúrio voltava a subir para o tubo. A explicação é, que existe uma força que actua sobre o mercúrio que fica na tina, que impede que o resto do mercúrio que está no tubo saia....essa força é a pressão atmosférica e convencionou-se, desde essa data, que a pressão atmosférica normal é de 760 milímetros de mercúrio(760 mm/Hg)Mais recentemente, meteorologistas, imaginaram uma coluna, com 1 cm2 que fosse desde o nível médio das águas do mar (0 metros) até ao limite da troposfera (a tropopausa), e através de cálculos, chegaram à conclusão que o ar contido nessa coluna pesaria cerca de 1 kg.
A pressão mede-se em bar (1bar é aproximadamente igual a 1 kg), mas como a pressão sofre mudanças muito ligeiras, é mais fácil usar a milésima parte do bar - o milibar (mb). Por isso, é que os instrumentos usados para medir a pressão se chamam barómetros.
Mais recentemente, em homenagem a um matemático e grande estudioso dos fenómenos da pressão - Pascal - resolveu-se usar o nome deste cientista como unidade de pressão.
Nestas novas unidades a pressão normal é de 1013
Assim, as unidades que são mais usadas actualmente para a medição da pressão são:- mb (milibares) sendo a pressão normal nesta unidade, de 1013 mb
- hPa (hectoPascal) sendo a pressão normal nesta unidade, de 1013 hPa
- e, cada vez menos utilizado, os mm/Hg (milímetros de mercúrio) sendo o valor da pressão normal nesta unidade, de 760 mm/Hg

Na superfície terrestre (mesmo nos mares) existem muitas estações meteorológicas que registam os vários elementos climáticos, entre eles a pressão atmosférica. Esses valores são depois assinalados em mapas. No que respeita à pressão, unem-se depois esses valores, de modo a fazer passar linhas por locais que têm os mesmos valores de pressão. A essas linhas chamam-se isóbaras e são linhas que unem pontos de igual valor de pressão. Dum modo geral, essas linhas, depois de traçadas, parecem-se com círculos.
Sempre que a pressão é superior a 1013 mb, diz-se que é centro de altas pressões ou anticicloneOs anticiclone representam-se com a letra A (como na figura acima), ou com o sinal + (por ser maior que o normal), ou apenas pelo valor da pressão, por exemplo 1020.Quando a pressão é inferior a 1013, diz-se que é um centro de baixas pressões, ou ciclones, ou depressõesRepresentam-se com a letra BD, com o sinal  , ou apenas com o valor (por exemplo 990).
O vento não é mais do que ar em movimento. O ar desloca-se entre os centros de pressão, numa tentativa de equilibrar as coisas entre as altas e as baixas pressões.

A fixar -->
Há na Natureza algumas "regras" que convém fixar. Assim, em relação às pressões:


marcaOs ventos sopram sempre das altas para as baixas pressões.
marca
Ao deslocarem-se (das altas para as baixas pressões), os ventos são desviados da sua trajectória. Chama-se a este desvio oEfeito de Coriólis. Se os ventos se deslocarem no hemisfério Norte, sofrem um desvio para a direita. Se os ventos se deslocarem no hemisfério Sul, sofrem um desvio para a esquerda.
marcanas altas pressões, os ventos são descendentes e divergentes (descem e afastam-se)
marcaNas baixas pressões os ventos são convergentes e ascendentes (aproximam-se e sobem).
Como se pode ver pela imagem ao lado, estas "regras" estão lá assinaladas. A imagem corresponde a centros de pressão no hemisfério Norte. No anticiclone podemos observar que os ventos (a vermelho em baixo e a vermelho e azul em cima) são descendentes e divergentes, ao contrário do que se passa nas depressões (imagens da esquerda). Nas imagens de baixo observa-se que os ventos saem das altas pressões e "entram" nas baixas pressões. também se observa que os ventos estão a sofrer um desvio para a direita, quer no anticiclone, quer na depressão.

Os centros pressionários encontram-se distribuídos pelo planeta, mais ou menos como uma "sandwich".... no centro (equador) estão baixas pressões, depois, quer para norte, quer para sul, a seguir às baixas pressões, encontram-se altas pressões, a seguir, baixas pressões novamente, e nas áreas polares estão altas pressões.Nas imagens à esquerda e em baixo,  podem-se observar como se efectua a distribuição das pressões, bem como os principais ventos delas resultantes.
Os alísios, que sopram das altas pressões subtropicais para as baixas pressões equatoriais, são talvez os mais importantes pela sua força e constância.
Na imagem da esquerda pode-se observar no Atlântico Norte, a "nossa" alta pressão.... o anticiclone dos Açores.

sábado, 25 de julho de 2015

Água do mar subterrânea está a fazer o gelo do Oeste da Antárctida derreter


Uma equipa de cientistas descobriu o que está a fazer com que o glaciar de Pine Island, na região Oeste da Antárctida, esteja a derreter tão rapidamente. Por baixo do glaciar existe a passagem subterrânea de água do mar, mais quente, que faz acelerar o movimento das massas de gelo para o mar. A descoberta é publicada hoje na Nature Geoscience.

A Antárctida é uma massa de gelo uniforme e branco que está por cima de terras recortadas formadas por muitas ilhas de diferentes tamanhos.

Estima-se que o derretimento do glaciar de Pine Island esteja a contribuir para dez por cento do aumento do nível médio do mar.

Os cientistas, utilizando uma sonda chamada Autosub verificaram que por baixo deste glaciar existe uma cordilheira aquática. Antigamente as massas de gelo estavam assentes nesta cordilheira que desacelerava o movimento do gelo para o mar. Há umas décadas, antes de 1970, o glaciar descolou-se da cordilheira, o que acelerou o movimento do gelo para o mar. Por outro lado, as águas marinhas entraram por dentro do continente, cobrindo uma área de mil quilómetros quadrados. Estas águas mais quentes aquecem o gelo e fazem derretê-lo.

“Este trabalho é vital para avaliar o risco de um potencial colapso dos glaciares da região Oeste da Antárctida”, disse Adrian Jenkins, o primeiro autor do artigo e investigador do British Antarctic Survey.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Buraco na camada de ozono sobre a Antárctida atinge os níveis mais baixos desde 2005

Há já cinco anos que o buraco na camada de ozono sobre a Antárctida não era tão reduzido, informam hoje investigadores neozelandeses, com base em dados de satélite e medições a partir do solo.

O buraco na camada de ozono, uma “porta de entrada” para os raios ultravioletas que podem ser nocivos para a saúde e Ambiente, atingiu uma área máxima de 22 milhões de quilómetros quadrados este ano, comparada com os 24 milhões registados no ano passado, segundo os investigadores do Niwa, Instituto nacional neozelandês para a Investigação Atmosférica e da Água, sediado em Auckland.

O cientista do Niwa Stephen Wood disse ao jornal “New Zealand Herald” que se tem registado nos últimos anos uma tendência para a diminuição do buraco na camada de ozono. “Todos os anos assistimos a variações na dimensão do buraco de ozono, causadas por diferenças na temperatura e circulação atmosférica. Por isso, não podemos dizer com certeza que o buraco na camada de ozono está a melhorar, com base nas observações que fazemos por ano”, comentou. “Ainda assim, temos agora uma série de anos com buracos de ozono menos severos. Isso indica que podemos começar a ver uma recuperação”, disse Stephen Wood, citado por aquele jornal.

O buraco na camada de ozono sobre a Antárctida forma-se todos os anos em Agosto e Setembro e normalmente desaparece em Novembro ou Dezembro. A maior área alguma vez registada foi 29 milhões de quilómetros quadrados, no ano de 2000.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Pinguim-rei morre mais e tem menos filhos por causa de marcadores metálicos

A identificação um indivíduo no meio de uma população de pinguins não é fácil. Uma das técnicas utilizadas é a utilização de marcadores em forma de banda que se colocam nas asas dos pinguins. Nas últimas décadas, vários estudos discutiam se esta abordagem causava algum mal às espécies, agora uma investigação de dez anos publicada na Nature mostra que os pinguins-rei com estes marcadores são mais susceptíveis e procriam menos. A banda metálica é utilizada para identificar os pinguins (DR) “O quadro é desambiguo”, disse à AFP Yvon Le Maho da Universidade de Estrasburgo, na França. “Entre os pinguins com bandas, os indivíduos menos adaptados morrem nos primeiros cinco anos do estudo, deixando vivos os super-atléticos. Nos outros cinco anos, a mortalidade é igual mas o sucesso reprodutivo dos pinguins com bandas foi de 39 por cento abaixo da média.” A equipa de investigação estudou uma população de pinguim-rei, Aptenodytes patagonicus, da ilha da Possessão, no arquipélago Crozet perto da Antárctida. Os investigadores escolheram cem indivíduos ao acaso e colocaram em 50 bandas metálicas à volta da asa, os outros 50 foram seguidos por radares que detectam implantes. O estudo decorreu entre 1998 e 2008. Durante os dez anos morreram mais 16 por cento de pinguins com os marcadores, a mortalidade foi concentrada na primeira metade da década. O que a equipa estima é que as bandas dificultam a movimentação na água, obrigando um esforço maior por parte dos pinguins e um maior gasto de energia. Isto faz com que estes indivíduos permaneçam mais dias no mar para caçar e cheguem a terra dias mais tarde, atrasando a reprodução e fazendo com que muitas vezes só tenham filhos no ano seguinte. Muitas vezes os pinguins servem para estudar o impacto das alterações climáticas no oceano, já que estão no topo da cadeia alimentar. À luz deste artigo, os estudos que tiram conclusões sobre este assunto utilizando populações de pinguins estudadas com marcadores podem ter que ser revistos, defende o artigo. “Durante o decurso do nosso estudo, quando a temperatura do mar era baixa e o alimento era abundante, não existia virtualmente nenhuma diferença entre aves com bandas e aves sem bandas”, disse Claire Saraux, colega de Yvon Le Maho. “No entanto, quando a temperatura aumenta e o alimento é menos abundante, os pinguins tem que nadar mais rápido, e os pinguins com banda permanecem mais tempo no mar à procura de alimento.”

sábado, 18 de julho de 2015

Seca no Mediterrâneo está a deixar árvores sem folhas

A floresta mediterrânica tem menos folhagem de há duas décadas para cá. Um estudo publicado recentemente na revista Proceedings of the National Academy of Sciences mostra que a seca está a deixar as árvores despidas, o que pode pressionar ainda mais os ecossistemas do Mediterrâneo.

A equipa, que reuniu cientistas espanhóis e holandeses, estudou séries meteorológicas entre 1987 e 2007. A análise mostrou que as alterações climáticas provocaram um aumento da frequência e intensidade dos períodos de seca. Isso trouxe consequências para a folhagem da bacia do mediterrâneo.

“Esta situação traduz-se numa diminuição generalizada da copa das árvores de todas as espécies. As plantas têm menos folhas porque têm menos água, ou seja, adaptam-se à quantidade de água que dispõem”, explicou por comunicado Josep Peñuelas, um dos autores do artigo, que é director da Unidade de Ecologia Global da Agência Estatal do Conselho Superior das Investigações Científicas (CSIC), em Espanha.

As observações foram feitas nas matas da Espanha, onde os cientistas observaram uma diminuição do número de folhas de diversas espécies de árvores como a azinheira (Quercus ilex) ou o pinheiro-do-alepo ( Pinus halepensis). A equipa construiu mapas da Espanha ao longo das duas décadas onde há uma sobreposição notável entre a seca e o aumento de perda de folhagem dos indivíduos.

“O que está a acontecer é que as árvores entram em stress”, explicou ao PÚBLICO por telefone o professor e investigador do Instituto Superior de Agronomia João Santos Pereira. Segundo este especialista em floresta mediterrânica, o fenómeno também é observado em Portugal, principalmente “a sul do rio Tejo”, apesar de não haver um estudo a fundo.

Santos Pereira diz que estas árvores tornam-se mais vulneráveis. “Se há ou não recuperação já é uma coisa que varia muito de caso para caso, a nossa observação empírica é que as árvores têm cada vez menos capacidade para recuperar”, explicou, ou seja, acabam por morrer.

Se esta tendência se mantiver, “é natural que haja uma diminuição dos números de árvores”, disse o cientista português. Uma das dúvidas de João Santos Pereira é, se no caso de Portugal a diminuição da folhagem é a seca ou é uma relação entre a seca e o ecossistema onde as espécies vegetais estão integradas.

Bosques assimilam menos CO2
Uma outra conclusão do estudo é a morte de comunidades de insectos e fungos associados às espécies vegetais. “É o caso dos cogumelos que crescem nas raízes das árvores e os insectos predadores e parasitas que se alimentam de tudo isto. As secas podem levar estas comunidades ao colapso por falta de alimento, resultando numa redução drástica na abundância e na diversidade que se prolonga durante anos, uma vez finalizada a seca”, disse em comunicado o investigador Jofre Carnicer, do Centro de Estudos Ecológicos e Evolutivos a Universidade de Groninga, na Holanda, que também participou no estudo. A morte destas espécies, terá impacto em todo o ecossistema.

Este factor vai de encontro às dúvidas de João Santos Pereira. Há comunidades de azinheiras e sobreiros que estão doentes em regiões do Alentejo, por exemplo. Anos antes de parecem doentes, o destino destas árvores já está traçado. “Pode ser que haja doenças que estejam introduzidas há algum tempo mas que ganhem força com o aumento de temperatura”, sugere o investigador.

A perda de folhagem vai diminuir a quantidade de CO2 que as plantas absorvem para realizar a fotossíntese. “Sabe-se que os bosques captam e retêm anualmente cerca de um terço das emissões de CO2 geradas pelas actividades humanas”, explicou Peñuelas.

Este fenómeno, além de entrar nas contas para o efeito de estufa torna “as árvores mais susceptíveis ao stress”, explica o cientista português. Por outro lado, há menos produção de biomassa e florestas menos ricas. Santos Pereira não encontra nenhuma fórmula milagrosa para conseguir contornar este problema além de uma “gestão florestal que tenha em conta estes fenómenos”.

Para o investigador holandês, Jofre Carnicer, “a bacia mediterrânica é uma importante reserva de biodiversidade a nível mundial, os impactos das secas extremas são uma das ameaças mais evidentes para a conservação da biodiversidade desta área”.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Aumento de chuvas no hemisfério Norte só é explicado pelas alterações climáticas

“Factor humano” é o título da capa da Nature, e põe o dedo na ferida com uma fotografia de casas inundadas pelas chuvas. Dois estudos publicados na edição desta quinta-feira da revista relacionam pela primeira vez o aumento de precipitação que está a acontecer na Terra com as alterações climáticas derivadas da actividade humana.

Um estudo de uma equipa do Canadá analisou a precipitação de chuva e queda de neve diárias em 6000 estações meteorológicas entre 1951 e 1999 no hemisfério Norte. “O nosso estudo mostra que os fenómenos de [precipitação mais forte] aumentaram em magnitude, o que quer dizer que fenómenos raros estão a tornar-se menos raros”, explicou Francis Zwiers, um dos autores do primeiro artigo, o investigador pertence à Divisão de Investigação Climatérica do instituto Environment Canada, no Ontário.

“Existem padrões característicos de aumento ou diminuição [destes fenómenos], como por exemplo o fenómeno do El niño”, disse citado pela revista norte-americana Scientific American, que faz parte do grupo da Nature. Mas não foram estes tipos de padrões que a equipa encontrou. Segundo os autores a variabilidade intrínseca do clima não explica estas variações.

“Os indícios levam-nos em outra direcção, a um fenómeno que esta a influenciar as precipitações a uma escala global – e a única coisa que nos lembramos é a mudança da composição da atmosfera”, explicou o cientista à BBC News.

Um dos impactos directos do aumento de temperatura do mundo, causados pelos gases de efeito de estufa, é a capacidade de a atmosfera reter mais água. Esta investigação é primeira “identificação formal” da ligação entre os fenómenos das alterações climáticas e a precipitação. O estudo mostra também que os modelos que existem estão a subestimar os verdadeiros efeitos do aumento de temperatura.

As simulações não podem concluir se um fenómeno particular foi causado devido às alterações climáticas. O que os cientistas fazem através de observações meteorológicas, modelos climáticos e com a ajuda da teoria das probabilidades, é determinar como é que as alterações climáticas influenciam as probabilidades de fenómenos extremos acontecerem.

Foi o que a equipa de cientistas da Universidade de Oxford, responsável pelo segundo artigo, fez. Olharam para as inundações que ocorreram em 2000, na Inglaterra e no país de Gales, com os modelos climáticos, e quantificaram o papel das alterações climáticas no risco das cheias.

Entre Setembro e Novembro de 2000, choveu mais de 500 milímetros de chuva no Reino Unido. Segundo os dados do jornal britânico Guardian, este foi o Outono mais húmido desde que há registo, ou seja, desde o ano de 1766. Mais de 10.000 casas ficaram inundadas e os seguros tiveram que pagar 4,16 mil milhões de euros pela destruição.

A equipa utilizou os computadores pessoais de 300000 mil voluntários para, através do programa Climateprediction.net, correrem modelos de climáticos. Os modelos comparam as probabilidades deste fenómeno acontecer no caso de termos um clima com alterações climáticas e no caso de não termos.

Os resultados mostram que o aquecimento global tem uma alta probabilidade de ter duplicado as hipóteses de se registar um fenómeno idêntico ao de 2000. Mas, uma em cada dez vezes, o aquecimento global pode ter aumentado este risco em 700 por cento ou tê-lo baixado para 20 por cento.

Ambas as equipas defendem a necessidade de mais investigação para aprimorar os resultados. Um factor importante é haver medições dos factores meteorológicos em locais do mundo que hoje são mal seguidos. Segundo a equipa de Oxford, é necessário distinguir quais os fenómenos que vão tornar-se mais frequentes e quais os que vão ser menos frequentes.

“Estes dois estudos mostram que o impacto humano na intensificação das chuvas e inundações já é detectável agora”, disse citado pela Reuters Richard Allan, do departamento de meteorologia, da Universidade de Reading, na Inglaterra.

O ambientalista dinamarquês Bjorn Bloomberg, um dos cépticos das alterações climáticas disse à BBC News que os modelos informáticos são a única forma que os cientistas têm para fazer previsões do clima no futuro. No entanto, a forma como devemos reagir e evitar as catástrofes não é gastando enormes quantidades de dinheiro para reverter o efeito das alterações climáticas.

“Temos que nos focar em formas mais simples – fazer protecções melhores, assegurar que as pessoas não habitem em planícies de cheias, e garantir espaços para que as cheias dos rios se dêem naturalmente, como acontecia no passado”, explicou.

Mas a secretária-executiva da convenção do clima das Nações Unidas, Christina Figueres, defende a redução das emissões de gás com efeito de estufa. “É alarmante admitir que a comunidade das nações é incapaz de estabelizar completamente as alterações climáticas, isto vai ameaçar os locais onde vivemos, onde e como podemos fazer crescer alimentos e onde podemos encontrar água”, disse recentemente ao parlamento espanhol, citada pela BBC News.

terça-feira, 14 de julho de 2015

A Terra estará a viver a sexta extinção em massa por causa das alterações do clima

Qual vai ser o impacto das alterações climáticas na árvore da vida, no final do século XXI? Pela primeira vez, um artigo, publicado amanhã, quinta-feira, pela equipa do biólogo Miguel Araújo na revista Nature, avaliou os efeitos das alterações do clima na árvore da vida. A Terra pode estar a viver a sexta extinção em massa, desta vez pela mão humana, se não forem travadas as emissões de gases com efeito de estufa.

Já houve cinco momentos de desaparecimento maciço de biodiversidade, causados por fenómenos geológicos catastróficos — como a colisão de um asteróide com a Terra há 65 milhões de anos, que ficou famosa porque, entre os desaparecidos, estavam os dinossauros. Agora, devido às alterações do clima pela acção humana, há a tese de que a Terra estará a viver a sexta extinção em massa.

Mas uma vaga de desaparecimentos tem de cumprir quatro condições para ser uma extinção em massa, explica Miguel Araújo, coordenador do pólo na Universidade de Évora do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos: tem de ocorrer de forma generalizada em todo o mundo; num período de tempo geológico curto; envolver grandes quantidades de espécies; e afectar espécies de um leque vasto de grupos biológicos.

Por exemplo, se as extinções afectarem muitas espécies só de algumas partes da árvore da vida, as extinções serão dramáticas, com impacto nos ecossistemas, mas não será a sexta extinção em massa, diz Araújo, titular da cátedra Rui Nabeiro em Biodiversidade, a primeira criada em Portugal com fundos privados (cem mil euros anuais, por cinco anos).

À procura de resposta, a equipa do biólogo, que inclui Wilfried Thuiller, entre outros cientistas da Universidade Joseph Fourier, em França, reconstruiu as relações evolutivas de grande número de espécies de aves, mamíferos e plantas, estudando o caso da Europa. Nestas relações evolutivas, a equipa projectou depois as conclusões para o risco de extinção das espécies. Teve em conta quatro cenários de alterações climáticas, consoante estimativas distintas de emissões de gases de estufa, até 2080, e usando modelos que reproduzem o clima da Terra.

Para estudar como as alterações climáticas actuais poderiam afectar a evolução da árvore da vida, foi ainda necessário distinguir as extinções causadas pelas mudanças do clima das que ocorreriam ao acaso. Para tal, a equipa removeu aleatoriamente “ramos” exteriores da actual árvore da vida, para ver até que ponto as extinções modeladas na sequência das alterações climáticas seriam diferentes de aleatórias. “Se não diferisse — é o nosso resultado —, estaríamos perante um padrão de extinções não selectivo, que afectaria a totalidade da árvore”, explica Araújo, também do Museu Nacional de Ciências Naturais de Madrid. “As alterações climáticas previstas afectam os ramos da vida de forma uniforme, tornando-os menos densos e farfalhudos com o tempo”, diz.

“Outros estudos têm demonstrado que as ameaças humanas afectam determinados ramos concretos da árvore da vida, por exemplo espécies grandes, especializadas em determinados tipos de comida ou habitats, ou anfíbios”, diz. “O nosso artigo demonstra que as alterações climáticas terão tendência a afectar todos os ramos da árvore.”

O estudo não permite dizer, porém, qual o número de espécies que irá desaparecer. E a estes impactos há que juntar outros de origem humana, como a destruição de habitats, a caça e pesca excessivas, a propagação de espécies invasoras e de agentes patogénicos, que afectam mais uns troncos da árvore do que outros. “Como os impactos se adicionam uns aos outros, o futuro poderá reservar-nos um aumento generalizado de espécies ameaçadas que afectará quase todos os ramos da árvore da vida.”

Portanto, as alterações climáticas poderão alterar as contas actuais sobre a extinção das espécies. A Terra está então viver a sexta extinção em massa? “No caso de haver impactes de grande magnitude que afectem um grande número de espécies, o padrão de extinções modelado por nós assemelha-se ao que se esperaria numa extinção em massa, já que estas não afectaram ramos particulares da árvore da vida, mas a sua quase totalidade”, responde Miguel Araújo.

Outra conclusão é que as espécies do Sul da Europa, que perde biodiversidade, deverão deslocar-se para o Norte. Já hoje, aliás, as alterações do clima estão a empurrar mais para norte espécies de aves e borboletas.

É também provável que espécies do Norte de África entrem no Sul da Europa — “o que já está a verificar-se com algumas aves e insectos”. Os recém-chegados tanto podem trazer mais biodiversidade, como acentuar a perda de espécies por competição ou novas doenças. “É difícil prever as consequências destas colonizações. Mas, havendo um mar entre os dois continentes, só espécies capazes de o atravessar podem colonizar a margem Norte, o que limita a diversidade de colonizadores.”

domingo, 12 de julho de 2015

Gelo no Ártico baixa para perto de mínimos históricos

A capa de gelo no Ártico diminuiu para perto dos mínimos históricos devido às altas temperaturas registadas nos últimos meses, segundo o Centro Meteorológico da Rússia (CMR).
Neste momento, o gelo do Ártico ocupa uma área de 6,8 milhões de quilómetros quadrados, próximo do mínimo registado em 2007, segundo o site da CMR.
Todos os mares do Ártico encontram-se abaixo do padrão em relação à sua superfície gelada das águas da parte europeia da Rússia. Especificamente, a superfície de gelo no sudoeste do mar de Kara é de 56 por cento abaixo da norma, enquanto no caso do Mar de Chukotka essa percentagem é de 35 por cento.
Por esta razão, as condições para a navegação através das águas do Ártico são consideradas "muito boas", uma tendência que se manterá..
A redução da capa de gelo que cobre o Oceano Ártico, devido ao aquecimento global, já permitiu que em 2010 um petroleiro russo reabrisse a rota marítima árctica, uma alternativa ao canal de Suez que estava encerrada ao tráfego comercial.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

O buraco na camada de ozono chegou ao Árctico

O chamado “buraco” na camada de ozono, que normalmente se forma sobre a Antárctida, está agora a ser observado também sobre o Árctico. Uma investigação publicada este domingo online pela revista Nature revela que, pela primeira vez desde que há medições do ozono, houve sobre o Pólo Norte uma rarefação da camada de ozono comparável à que há normalmente no Pólo Sul.

A camada de ozono protege a Terra da radiação ultra-violeta. Mas determinados gases – especialmente compostos sintetizados industrialmente contendo cloro e bromo – destroem as moléculas de ozono na alta atmosfera. Este fenómeno é mais acentuado na Primavera polar na Antárctida, entre Setembro e Novembro.

Dados analisados por uma equipa liderada por cientistas do Laboratório de Propulsão a Jacto, do Insituto de Tecnologia da Califórnia, revelam que, no princípio deste ano, a redução na concentração de ozono estratosférico sobre o Árctico – a 18-20 quilómetros de altitude – superou os 80 por cento.

“Os nossos resultados mostram que buracos no ozono Árctico são possíveis mesmo com temperaturas mais amenas do que na Antárctida”, diz o resumo do estudo, referindo-se ao facto de as temperaturas polares no Sul serem normalmente mais baixas do que no Norte.

O estudo associa as baixas concentrações de ozono a longos períodos de frio no Árctico. “Os invernos na estratosfera do Árctico são muito variáveis, alguns são quentes, outros são frios. Mas nas últimas décadas, os invernos frios têm-se tornado cada vez mais frios”, disse Michelle Santee, uma das autoras principais do estudo, citada pela BBC.

A causa principal do buraco na camada de ozono tem vindo a ser combatida desde o final da década de 1980, com tratados internacionais que baniram o uso de determinados compostos clorados, utilizados, por exemplo, em frigoríficos e extintores de incêndio. Mas apesar da sua fabricação e uso terem caído a níveis irrisórios, as suas concentrações históricas na estratosfera ainda não baixaram o suficiente.

Na Antárctida, estima-se que a camada de ozono regressará aos seus níveis pré-industriais apenas por volta de 2050.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Borboleta do Reino Unido evoluiu com o clima


Novos dados revelam evolução genética para adaptação a mudanças decorrentes das alterações climáticas, que poderão ser, afinal, mais vastas do que se supunha
Com a cimeira do clima a decorrer em Durban, na África do Sul, os estudos sobre os efeitos das alterações climáticas ganham novo fôlego. Dois, publicados hoje, são alertas para o futuro. Um tem uma borboleta doReino Unido, a Aricia agestis, como protagonista de uma das primeiras provas de alterações genéticas numa espécie associadas às alterações climáticas.O outro sugere a possibilidade de "inundação" da atmosfera da Terra com o dióxido de carbono (CO2) contido no permafrost (solo permanentemente gelado) do hemisfério Norte, com o Árctico a aquecer rapidamente.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Secas moderadas poderiam ter causado o fim da civilização Maia

O colapso da civilização Maia poderá ter sido provocado por secas não muito severas, parecidas com situações que se esperam que ocorram nos próximos anos devido às alterações climáticas, defendeu uma equipa de cientistas, que publicou nesta quinta-feira um artigo na revista Science com novos dados.

Os peritos defendem há décadas que uma seca enorme causou as condições extremas que provocaram o fim da antiga cultura conhecida pelo seu domínio na linguagem, na matemática e na astronomia. Mas os investigadores do Centro de Investigação Científico de Yucatan, no México, e da Universidade de Southampton, no Reino Unido, obtiveram dados que mostram que a seca só causou reduções de 25 a 40% da quantidade anual de precipitação.

“Os dados sugerem que a principal causa foi a diminuição da actividade de tempestades de Verão”, disse o co-autor Eelco Rohling, da Universidade de Southampton. Esta menor quantidade de precipitação terá tido impacto na água disponível nos lagos. A evaporação da água dos lagos não era contrabalançada com a mesma quantidade de chuva.

A investigação é pioneira ao tentar identificar pela primeira vez a quantidade exacta de chuva que caiu entre 800 e 950 d.C., altura em que a civilização Maia entrou em declínio. Os cientistas basearam estas conclusões a partir de dados que retiraram das estalagmites (formações parecidas com estalactites, mas que crescem a partir do chão) e de lagos de pouca profundidade.

As análises mostraram que períodos de seca modestos podem ter provocado grande falta de água numa área onde não existem rios e nenhuma outra fonte de água a não ser a que se acumula da chuva. “O Verão era a principal estação para o cultivo e para o reabastecimento do sistema de armazenamento de água doce dos Maias e não existem rios na planície de Yucatan. As roturas sociais e o abandono das cidades são consequências prováveis da falta de água, especialmente porque parece ter havido uma repetição de episódios de seca que duraram vários anos”, explicou Rohling.

Especialistas prevêem que estes tipos de seca voltem a acontecer na região de Yucatan devido às alterações climáticas. Apesar das sociedades modernas estarem, à partida, mais bem equipadas para lidarem com este tipo de crises, os riscos continuam a existir.

“Este problema não é exclusivo à Península de Yucatan, mas aplica-se a todas as regiões com características semelhantes em que a evaporação é grande. Hoje, temos o benefício de termos consciência [sobre o assunto], e podemos actuar de acordo com isso”, disse Martin Medina-Elizalde, primeira autora do trabalho, do centro de investigação do México.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Geografia - Vídeo - Lisboa debaixo de terra - As Galerias Romanas da Rua da Prata

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Geografia - Vídeo - Templo Romano de Évora 3D

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