domingo, 31 de maio de 2015

Índice de Risco de Incêndio (FWI)


O Instituto utiliza o índice meteorológico de risco de incêndio do sistema canadiano FWI (Fire Weather Index).
O Índice meteorológico de risco de incêndio FWI foi desenvolvido pelo Serviço Canadiano de Florestas e é utilizado por vários países do mundo, em particular na Europa. Através da utilização deste índice é possível estimar um risco de incêndio a partir do estado dos diversos combustíveis presentes no solo florestal, estando esse determinado indiretamente através das observações de elementos meteorológicos.

Para o cálculo do índice de risco de incêndio do sistema canadiano FWI, entra-se em consideração com os valores observados, Às 12 UTC, da temperatura do ar, da humidade relativa, da velocidade do vento e da quantidade de precipitação ocorrida nas últimas 24 horas (12-12 UTC). Sendo o FWI um índice cumulativo, significa que o valor do índice no dia reflete tanto as condições observadas nesse mesmo dia, como a sua evolução ao longo do tempo desde a data de início do cálculo do índice.

O índice FWI é composto por 6 sub-índices que são calculados com base nos valores dos elementos meteorológicos q avaliam diferentes estados possíveis do solo. O índice final FWI é então distribuído segundo a escala distrital de risco de incêndio por um conjunto de cinco classes de risco: Reduzido, Moderado, Elevado, Muito Elevado e Máximo, que correspondem à escala utilizada durante a época de Verão dos incêndios florestais, entre 15 de Maio e 14 de Outubro. 

Desde 2002 que o índice FWI é calculado diariamente pelo Instituto de Meteorologia sem interrupções ao longo do ano, com utilização operacional nas ações de prevenção e combate dos incêndios florestais, inclusive na época de Inverno, onde passou a utilizar-se uma nova escala, também à escala distrital, com redução a três níveis: Baixo, Médio e Alto.

Componentes do Índice FWI
FMC (Índice de Humidade dos Combustíveis Finos) – Este índice, classifica os combustíveis finos mortos, de secagem rápida, quanto ao seu conteúdo em humidade. Corresponde assim ao grau de inflamabilidade destes combustíveis, que se encontram à superfície do solo. O conteúdo de humidade destes combustíveis às 12 UTC de um determinado dia, depende do conteúdo de humidade à mesma hora, do dia anterior, da precipitação (mm) ocorrida em 24 horas (12-12 UTC) e da temperatura (ºC) e da humidade relativa do ar (%) às 12 UTC do próprio dia. A intensidade do vento influência apenas na velocidade de secagem destes materiais.

ISI (Índice de Propagação Inicial) - Este índice de propagação inicial do fogo, depende do sub-índice FFMC e da intensidade do vento (Km/h) às 12 UTC.

BUI (Índice de Combustível Disponível) - O índice de combustível disponível, é um factor de avaliação dos vegetais que podem alimentar um fogo (combustíveis "pesados" que se encontram no solo) e é calculado a partir de dois dos sub-índices: DMC e DC.
DC (Índice de Húmus) - Este índice traduz o conteúdo de humidade do húmus e materiais lenhosos de tamanho médio que se encontram abaixo da superfície do solo até cerca de 8 cm. O índice de húmus é calculado a partir da precipitação ocorrida em 24 horas (12-12 UTC), da temperatura e humidade relativa do ar às 12 UTC e do índice de húmus da véspera.
DMC (Índice de Seca) - Este índice é um bom indicador dos efeitos da seca sazonal nos combustíveis florestais (húmus e materiais lenhosos de maiores dimensões), que se encontram abaixo da superfície do solo, entre 8 e 20 cm de profundidade. O índice de seca é obtido a partir da precipitação ocorrida em 24 horas, da temperatura às 12 UTC e do índice de seca verificado na véspera.
FWI (Índice Meteorológico de Risco de Incêndio) - Este é o índice final do sistema Canadiano, sendo calculado em função dos seus sub-índices ISI e BUI.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Estações Meteorológicas Automáticas e Radiosondagens


A rede nacional de estações meteorológicas automáticas de superfície (EMA) encontra-se em funcionamento operacional no IM desde junho de 2002 com 93 EMA (78 no Continente, 9 no arquipélago dos Açores e 6 no arquipélago da Madeira), as quais registam de 10 em 10min os elementos meteorológicos principais e elaboram de forma automática mensagens em forma de código que são enviadas à escala horária para a sede do IM e difundidas internacionalmente.

Esta rede permite obter em tempo real os dados meteorológicos indispensáveis para a previsão do estado do tempo com uma cobertura espacial adequada (cerca de 1000 km2/estação) para vigilância meteorológica à escala sinóptica e mesoscala e estudos climatológicos, incluindo utilização em disponibilidades energéticas (solar, eólica e hídrica) e no suporte em estudos micro-climáticos, servindo as EMA de referência para redes de estações climatológicas em pequenos períodos de exploração.


A rede aerológica Nacional é constituída por 3 estações, instaladas em Lisboa, Funchal e Lajes, onde são lançados diariamente, em regra às 00 e 12UTC, balões meteorológicos com radiossonda RS92-SGP que permitem medir, de 10 em 10m, aproximadamente, os valores da pressão atmosférica, da temperatura e humidade relativa do ar e do vento, desde a superfície até à altura de rebentamento do balão, que em geral é superior a 30Km.

Os dados referidos são recebidos num sistema recetor, DigiCORA, instalado à superfície e após o fim da radiossondagem, que tem duração aproximada de 2h, são transmitidos em forma de código meteorológico para a sede do IPMA para utilização própria e para difusão internacional. Este tipo de dados é fundamental na eficiência de modelos de previsão numérica do estado do tempo (à escala sinóptica) e são também utilizados em climatologia de altitude, na vigilância das condições meteorológicas de dispersão de poluentes atmosféricos e no cálculo da altura da camada de mistura e classes de estabilidade da atmosfera.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Noções de Climatologia

Qual a relação da temperatura com a latitude?
Quanto menor for a latitude, maior será a temperatura. Por exemplo: no Equador, os raios solares incidem perpendicularmente na Terra, dando lugar a que grande parte da energia seja depositada no solo. Em latitudes mais elevadas, o Sol não incidirá perpendicularmente, quer devido à curvatura da Terra, quer pelo desvio dos raios solares causado pela atmosfera. Deste modo, nem todos os raios solares chegarão ao solo para debitarem calor. O clima de qualquer região terá outras influências além da curvatura da Terra, como sejam a presença de água ou a orografia.


Como é o clima no Polo Sul?
O clima no Polo Sul, melhor, o clima da Antártica, é o mais frio da Terra. É extremamente seco, com uma média anual de precipitação entre 30 e 70 mm. Na maior parte do continente a neve nunca derrete e é comprimida até transformar-se em plataformas de gelo. As massas de ar raramente penetram a fundo no continente.

Quais as principais limitações para a descrição do clima de uma região, utilizando-se a classificação climática?
As características atmosféricas de um determinado local são influenciadas pelas condições existentes no local, resultantes da combinação de algumas grandezas físicas denominadas por elementos climáticos. A classificação de Köppen, a classificação de Thornthwaite e a classificação ecológica podem satisfazer o microclima de uma localidade, mas como tudo em Meteorologia tem as suas limitações. Tudo vai depender dos fenómenos apresentados na natureza. O El-Niño e a La-Niña são seus exemplos.

Há limitações para a descrição do clima de uma localidade, utilizando a classificação climática de Köppen?
Existem vários esquemas de classificação climática, sendo o de Köppen o mais conhecido. É útil quando queremos comparar climas de diferentes regiões, usando principalmente dados de temperatura e de precipitação.

O que é o "Efeito de estufa"?

O efeito de estufa é um processo natural que determina o clima da Terra e faz com que a temperatura da Terra seja superior do que a que seria na ausência da atmosfera. O efeito estufa dentro de uma determinada faixa pode ser considerado como uma coisa boa, pois, sem ele a vida, como se conhece, não poderia existir.

A denominação de efeito de estufa deve-se à analogia com o que acontece numa estufa de plantas: o vidro deixa passar a radiação de pequeno comprimento de onda emitida pelo Sol mas absorve a radiação infra-vermelha emitida pelo solo, dando assim origem a temperaturas mais elevadas dentro da estufa. No caso da Terra é a atmosfera que funciona parcialmente como o vidro da estufa.

A atmosfera é constituída essencialmente por azoto e oxigénio que são transparentes tanto para a radiação emitida pelo Sol como para a radiação de maior comprimento de onda emitida pelo solo. Existem, no entanto, outros constituintes menores da atmosfera, como o vapor de água e o dióxido de carbono, que absorvem a radiação emitida pelo solo. A radiação absorvida por estes gases é, então, reemitida em todas as direções, alguma reenviada de novo para a Terra.

Estima-se que a temperatura média da superfície da Terra, de cerca de 15°C, seria de -18°C na ausência do efeito de estufa.


Normais Climatológicas?

Em Meteorologia uma normal de um elemento meteorológico é o valor médio desse elemento ao longo de um período fixo de anos para um determinado local, região, país ou área geográfica. Num sentido mais alargado, as normais devem consistir num conjunto de estatísticas descritivas que inclui a média, a mediana, o desvio padrão, os quartis, a distribuição de frequências, os valores extremos, etc. dos elementos meteorológicos considerados.

Na Conferência Internacional de Meteorologia em 1935, em Varsóvia, o período compreendido entre 1901 e 1930 foi selecionado como o período internacional padrão para as normais. Posteriormente a recomendação internacional é recalcular as normais ao fim de cada década usando os 30 anos anteriores. As normais que se iniciam, por exemplo, a 1 de janeiro de 1941 terminam a 31 de dezembro de 1970; as normais seguintes iniciam-se a 1 de janeiro de 1951 e terminam a 31 de dezembro de 1980, e assim sucessivamente. A estas normais chamam-se normais climatológicas. Esta prática é usada para ter em conta as variações lentas do Clima. O período de anos considerado para as normais deve ser sempre referido claramente, já que os resultados obtidos para diferentes períodos com a mesma duração raramente são iguais.

Os principais elementos meteorológicos considerados no cálculo das normais são a temperatura do ar (média, máxima e mínima), a pressão atmosférica, a precipitação, a humidade do ar, a insolação, a nebulosidade, a evaporação e o vento. Estão igualmente incluídos neste conjunto o número de dias em que ocorreu neve, granizo ou saraiva, trovoada, nevoeiro, orvalho e geada.


E em Portugal? O clima está a mudar?

A temperatura média do ar tem estado a aumentar desde meados do século XIX. Este aumento, depois de retirado o ‘efeito de ilha urbano’, é estimado em 0.0074°C/ano.
 - A amplitude térmica diária, diferença entre a temperatura máxima e a temperatura mínima, está a diminuir desde 1946. Esta diminuição deve-se ao facto de as temperaturas mínimas estarem a aumentar mais do que as máximas.
 - A quantidade de precipitação está a diminuir em março.
 - Nas últimas duas décadas houve um aumento na frequência e na intensidade de situações de seca.
 - A temperatura da água do mar junto à costa ocidental tem estado a aumentar desde 1956. Esse aumento é similar ou superior ao aumento da temperatura do ar para o mesmo período.


O clima da Terra está a mudar?

A análise de um grande conjunto de observações mostra mudanças recentes no sistema climático, estas conclusões foram apresentadas numa publicação de referência (Climate Change 2001: The Scientific Basis. IPCC Third Assessment Report):
- A temperatura média global à superfície aumentou cerca de 0.6°C no século XX. Registos desde 1861, mostram a década de 1990 como a mais quente, e o ano mais quente o de 1998. Em média, entre 1950 e 1993, a temperatura mínima diária do ar aumentou cerca de 0.2°C por década, o dobro do aumento da temperatura máxima diária.
- No mesmo período, entre 1950 e 1993, a temperatura da água do mar aumentou cerca de metade do que a temperatura média sobre o continente.
- Dados recolhidos de satélites mostram que houve uma diminuição de cerca de 10% da área coberta de neve e gelo desde o fim da década de 60.
- O nível médio da água do mar subiu entre 0.1 e 0.2 m durante o século XX.

Em que sentido se deve usar o termo “condições climatéricas”?
É correto, por exemplo, dizer que numa determinada data e hora, o estado do tempo que se caracterizou por chuva intensa, obrigou à interrupção de um jogo de futebol.

É incorreto dizer que foi devido às condições climáticas ou climatéricas. Por outro lado, por exemplo, é correto dizer que as condições climáticas de Atlanta, nos meses de Julho e Agosto, com temperatura do ar e humidade relativa elevadas, podem prejudicar o desempenho dos atletas.

Diferença entre Tempo e Clima?

O tempo num dado local e num dado instante é definido por um conjunto de elementos atmosféricos: temperatura do ar, vento à superfície, pressão atmosférica, nebulosidade, humidade relativa do ar, etc.

O clima é uma síntese dos estados de tempo característicos de um dado local ou região num determinado intervalo de tempo definido. Para definir o clima recorre-se à estatística e utilizam-se valores médios, valores extremos, probabilidades de ocorrência ou de excedência, etc. O tempo e o clima são, portanto, duas formas de descrever as mesmas variáveis mas utilizando diferentes escalas temporais.

http://www.ipma.pt/


sábado, 23 de maio de 2015

O que é o Ozono Estratosférico?


A medida da espessura da Camada de Ozono é normalmente designada por quantidade total de ozono ou simplesmente ozono total e consiste na quantidade de moléculas de ozono contidas numa coluna vertical de base unitária que se estende desde a superfície até o "topo" da Atmosfera.

Tradicionalmente, o ozono total é habitualmente expresso em unidades Dobson (1 unidade Dobson=2.687 E16 molécula/cm2) em memória do cientista britânico G. M. B. Dobson que nos anos 20 do século passado desenvolveu um espectrofotómetro para a medição operacional da quantidade total de ozono a partir da análise do espectro da radiação solar ultravioleta.  Ao longo do ano e nas latitudes médias, a quantidade total de ozono pode variar entre 200 D e 500 D. Nas regiões polares e em especial no Polo Sul e durante os eventos do Buraco de Ozono, a quantidade total de ozono pode diminuir até valores inferiores a 100 D.

A vigilância da Camada de Ozono em Portugal é levada a cabo pelo IPMA, o qual mantém actualmente em funcionamento um espectrofotómetro Dobson (Lisboa) e 3 espectrofotómetros automáticos Brewer (Lisboa, Funchal e Angra do Heroísmo). Estas estações fazem parte da rede GAW (Global Amosphere Watch) da OMM (Organização Meteorológica Mundial), contribuindo para uma melhor cobertura observacional à escala global e como referência para os sistemas de deteção remota à bordo de satélites (TOVS, EP-TOMS, GOME, SCHIAMACHY, etc.). Os resultados obtidos são periodicamente enviados para vários centros internacionais de dados (WOUDC e NHMP-LAP) onde são disponibilizados para a comunidade cientifica.

As observações da quantidade total de ozono efetuadas em Lisboa desde 1967 até 1998 apresentam uma tendência estatisticamente significativa de 3,3% por cada dez anos. Esta tendência é comparável com as encontradas em outras estações da Europa no mesmo período e com instrumentos do mesmo tipo.

As previsões de ozono total apresentadas são baseadas no modelo de previsão de larga escala disseminado pelo Serviço Meteorológico Alemão (DWD) na sua qualidade de centro meteorológico regional especializado da OMM para a previsão do Índice UV.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Composição da Atmosfera


Nas estações da rede de vigilância de constituintes atmosféricos do IPMA é efetuada a amostragem/monitorização para caracterização da química das deposições, gases e aerossóis atmosféricos. 

O equipamento de amostragem/monitorização compreende:

- coletores automáticos (precipitação semanal e deposição seca mensal) e coletores manuais (precipitação diária/eventual);

- amostradores sequenciais para compostos de enxofre e/ou azoto no ar, com amostragens de 24 horas e funcionamento em contínuo, utilizando o método dos filtros impregnados;

- amostradores de grande volume de ar para partículas em suspensão na atmosfera à superfície, de diâmetro inferior a 10 um (PM10), com amostragens de 24 horas e caudal de ar constante. O método de referência utilizado, método gravimétrico, permite a determinação da massa das partículas depositadas em filtros de fibra de vidro por pesagem em condições ambientais pré-estabelecidas e o cálculo da concentração mássica das partículas recolhidas.

O IPMA, como entidade responsável em Portugal pelo cumprimento da execução dos programas referidos, em curso nas estações GAW/EMEP, tem obtido a participação ativa do Laboratório da CCDR/Alentejo, que tem vindo a explorar 1 estação EMEP em Monte Velho e a executar as análises físico-químicas das deposições atmosféricas para caracterização dos seguintes parâmetros: pH, condutividade elétrica, sulfato, nitrato, azoto amoniacal/amónia, cloreto, sódio, potássio, cálcio, magnésio, e os metais pesados chumbo, cádmio, níquel, cobre, manganês e zinco, e ainda das concentrações de dióxido de enxofre e de sulfato no ar. 

No âmbito do alargamento da atual rede EMEP de três estações para cinco (sendo 4 do IPMA), para melhoria do cumprimento do programa de monitorização de constituintes atmosféricos estabelecido pelo EMEP a todos os países envolvidos, deverão ficar em funcionamento operacional até final do corrente ano 5 analisadores automáticos para monitorização em contínuo de ozono à superfície e 5 novos sequenciais para amostragem em contínuo de compostos de enxofre e /ou azoto no ar . 

A informação relativa aos parâmetros monitorizados é enviada regularmente, em formatos específicos, para os correspondentes Centros Mundiais Coletores de Dados, em cumprimento dos compromissos estabelecidos nos programas internacionais que o IM mantém desde há cerca de três décadas nestas atividades.

terça-feira, 19 de maio de 2015

O que é ultra-violeta?


A radiação solar constitui um importante fator natural do clima da Terra influenciando significativamente o ambiente. A parte ultravioleta do espectro solar (UV) desempenha um papel determinante em muitos processos na biosfera, possuindo muitos efeitos benéficos, poderá no entanto causar graves prejuízos para a saúde se o nível de UV exceder os limites de “segurança”.

De facto, se a quantidade de radiação ultravioleta exceder os limites a partir dos quais os mecanismos de defesa, inerentes a cada espécie, se tornam ineficazes, poderão ser causados graves danos a nível biológico, facto que também se aplica ao organismo humano e em particular aos órgãos da pele e da visão. Com o intuito de serem evitadas lesões, agudas e crónicas, resultantes da exposição a elevadas níveis de UV, as pessoas deverão limitar a sua exposição à radiação solar adotando medidas de proteção, medidas estas que variam consoante a sensibilidade de cada um à mesma radiação solar.

A variação diurna e anual da radiação solar que chega à superfície é governada por fatores astronómicos e parâmetros geográficos bem como por condições atmosféricas. As ações decorrentes das atividades humanas que atingem a atmosfera, poluindo o ar e influenciando a camada de ozono, afetam também a radiação UV que chega à superfície. Consequentemente, a radiação UV é um parâmetro ambiental altamente variável no espaço e no tempo. A radiação ultravioleta (UV) faz parte do espectro da radiação solar nos comprimentos de onda compreendidos entre 290 nm a 400 nm. A chamada radiação UV-B corresponde ao intervalo espectral de 280 nm a 320 nm, sendo a principal responsável pela formação de queimaduras na pele, cancro da pele, cataratas e outros efeitos na saúde humana. A radiação solar UV-B que incide na atmosfera da Terra é absorvida principalmente pelo ozono estratosférico o qual se encontra entre 10 km e 50 km de altitude. No entanto, existem outros componentes atmosféricos que podem contribuir também para uma atenuação (por absorção e/ou por difusão) da radiação UV-B na atmosfera como as nuvens, o aerossol atmosférico e até o próprio ar. Existem ainda outros fatores que podem contribuir para o aumento da radiação UV-B como as reflexões das nuvens, neve, areia, etc.

A radiação ultravioleta e a camada de ozono
Cerca de 90 % do ozono atmosférico encontra-se na estratosfera (10-50 km). Assumindo que os outros fatores (altura do Sol, local, nebulosidade, aerossol, etc.) se mantêm constantes, as variações da radiação UV-B resultam das variações na espessura do ozono estratosférico devidas aos vários mecanismos de transporte formação e destruição do ozono na atmosfera. Nos últimos 20 anos observou-se uma redução gradual da espessura da camada de ozono principalmente nas latitudes médias e altas, atribuída à destruição do ozono por compostos químicos resultantes das atividades humanas. Esta redução aumenta regra geral na direção dos polos e com maior intensidade no chamado Buraco de Ozono da Antártida. 

Em Portugal a situação da camada de ozono não é significativamente diferente das outras regiões situadas à mesma latitude, observando-se uma redução de cerca de 3% por década durante os últimos 30 anos.

As preocupações resultantes do aumento da radiação UV-B devido à redução global da espessura da camada de ozono levaram a um aumento no interesse pela medição e previsão da radiação UV-B tendo em conta a grande variabilidade espacial e temporal do ozono.

Definição do Índice UV
A necessidade de fazer chegar ao público em geral informação sobre a radiação UV e sobre os seus possíveis efeitos nocivos, levou a comunidade científica a definir um parâmetro que pudesse ser usado como um indicador para as exposições a esta radiação. Este parâmetro chama-se Índice UV (IUV). Assim, o IUV é uma medida dos níveis da radiação solar ultravioleta que efetivamente contribui para a formação de uma queimadura na pele humana (eritema), sendo que a sua formação depende dos tipos de pele (I, II, III, IV) e do tempo máximo de exposição solar com a pele desprotegida.

O Índice UV exprime-se numericamente como o resultado da multiplicação do valor médio no tempo da irradiância efetiva (W/m2) por 40. Exemplo: Uma irradiância efetiva de 0.2 W/m2 corresponde a um valor do UVI de 8.0. 
O Índice UV varia entre menor que 2, em que o UV é baixo, 3 a 5, Moderado, 6 a 7, Alto, 8 a 9, Muito Alto e superior a 11 Extremo. Os valores médios do UV para a latitude de Portugal, enquadram-se para o período compreendido entre os meses de Outubro e Abril entre 3 e 6, o que significa Moderado com possibilidade de Alto em alguns momentos deste período e entre 9 e 10 para o período compreendido entre Maio e Setembro, o que corresponde a Muito Alto.

domingo, 17 de maio de 2015

O Clima


O conhecimento do clima de uma região é fundamental para o planeamento e gestão das atividades sócio-económicas, e também essencial para mitigar as consequências dos riscos climáticos.

A palavra clima provém de vocábulo grego que designava uma zona da Terra limitada por duas latitudes e era associada à inclinação dos raios solares e, por extensão, às características meteorológicas predominantes.
Na aceção geral o clima é a síntese do tempo e a nossa expectativa sobre as condições meteorológicas. E este é, em essência, o conceito que convém preservar. Cientificamente há que definir os atributos da definição em termos quantitativos, sendo que no clima os fenómenos interessam pela sua duração ou persistência, pela sua repetição e são caracterizados por valores médios, variâncias, probabilidades de ocorrência de valores extremos dos parâmetros climáticos.

Frequentemente ocorre confusão conceptual entre clima e tempo, duas grandezas que se distinguem, designadamente, pelo espaço temporal de referência. Numa simplificação de abordagem poderá dizer-se que o estado de tempo refere-se ao conjunto das condições meteorológicas num dado local, designadamente a temperatura e a humidade do ar, a precipitação, a nebulosidade, o vento e à sua evolução no a dia a dia. Por seu lado o Clima poderá traduzir-se pelo conjunto de todos os estados que a atmosfera pode ter num determinado local, durante um tempo longo, mas definido. Este intervalo de tempo durante o qual podemos dizer que existe um determinado tipo de clima é escolhido como “suficientemente longo”, em geral 30 anos.

O clima de um dado local depende do intervalo de tempo utilizado e não é o mesmo para um ano, um decénio, ou um século. Na descrição quantitativa do clima é necessário indicar o período (intervalo de tempo) a que correspondem os valores numéricos apresentados. Com efeito, o clima varia com o tempo e por isso não devem comparar-se climas utilizando valores que correspondam a intervalos de tempo com números diferentes de anos, ou que correspondam ao mesmo número de anos, mas em épocas diferentes.

Com o conhecimento do clima em Portugal, matéria de responsabilidade do IPMA, podem desenhar-se respostas à escala nacional e internacional, para os desafios da variabilidade e alterações climáticas, tendo em consideração um novo paradigma para os serviços de clima, baseados na premissa de que decisões económicas poderão beneficiar de um melhor conhecimento das condições climáticas.


Chama-se normal climatológica de e um elemento climático em um local o valor médio correspondente a um número de anos suficiente para se poder admitir que ele representa o valor predominante daquele elemento no local considerado.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) fixou para este fim 30 anos começando no primeiro ano de cada década (1901-30, ..., 1931-1960, 1941-1970, ..., 1961-1990, 1971-2000).

Os apuramentos estatísticos referentes a estes intervalos são geralmente designados por Normais Climatológicas (sendo, nomeadamente as normais de 1931-1960 e 1961-1990 consideradas as normais de referência).

As Fichas Climatológicas disponíveis no IPMA, I.P., fornecem, para a estação climatológica selecionada, os valores mensais e os valores anuais de alguns dos principais parâmetros climáticos sob a forma de gráficos e Tabela: valores médios da temperatura máxima e mínima do ar; precipitação; insolação; vento; valores extremos da temperatura máxima e mínima do ar.



Sendo a definição do índice de duração da onda de calor ( HWDI – Heat Wave Duration Index) segundo a Organização Meteorológica Mundial (WCDMP-No.47, WMO-TD No. 1071),considera-se que ocorre uma onda de calor quando num intervalo de pelo menos 6 dias consecutivos, a temperatura máxima diária é supeior em 5ºC ao valor médio diário no período de referência.

De realçar, no entanto, que esta definição está mais relacionada com o estudo e análise da variabilidade climática (em termos de tendências) do que propriamente com os impactos na saúde pública de temperaturas extremas que possam observar-se num período mais curto. Por exemplo, a ocorrência de 3 dias em que a temperatura seja 10 °C acima da média terá certamente mais impacto na saúde que 7 dias com temperatura 5 °C acima da média.

As ondas de calor, que podem ocorrer em qualquer altura do ano, são mais notórias e sentidas pelos seus impactos quando ocorrem nos meses de verão (junho, julho e agosto). De referir ainda que Junho é o mês de verão em que as ondas de calor ocorrem com maior frequência em Portugal Continental.

Desde a década de 1940, período em que existe informação meteorológica diária num maior numero de estações, têm-se verificado ondas de calor de extensão espaço-temporal variável; no entanto, é a partir da década de 90 que se regista a maior frequência deste fenómeno.

Merecem particular referência, pela intensidade, duração e extensão espacial e também pelos impactos socio-económicos, as ondas de calor de Junho de 1981, julho de 1991 e julho/agosto de 2003.

de 15 a 23 de junho de 2005
de 30 de Maio a 11 de junho 2005
de 29 de Julho a 15 de agosto 2003
de Julho de 10 a 18 de julho de 1991
de 10 a 20 de junho de 1981

A análise estatística das séries climatológicas longas da temperatura do ar em Portugal Continental no período de 1931 a 2004, permite verificar que a partir de 1972 há uma tendência crescente dos valores da temperatura média anual à superfície, tendo sido o ano de 1997 o mais quente nos últimos 74 anos.

Os 6 anos mais quentes ocorreram nos últimos 12 anos, sendo 2004, o 18º ano consecutivo com a temperatura mínima do ar acima da média 1961-1990.

A análise estatística da quantidade de precipitação anual no período 1931 – 2004, permite afirmar que nos últimos 20 anos, apenas 8 apresentaram valores da quantidade de precipitação acima da média de 1961-1990. O ano de 2004 registou o valor mais baixo do total de precipitação anual desde 1931. A evolução sazonal dos valores médios, entre 1931-2004 apresenta uma redução sistemática da precipitação na primavera, estatisticamente significativa.

Numa análise à variabilidade sazonal da precipitação verifica-se no período de aquecimento um aumento da quantidade de precipitação no outono e uma diminuição nas outras estações do ano.

Identificam-se na variabilidade mensal da precipitação valores positivos significando que os respetivos meses foram mais chuvosos no período de aquecimento (1976-2004) que no período de arrefecimento (1946-1975); de realçar a diminuição significativa no mês de março e o aumento nos meses de outubro e dezembro. O aumento da quantidade de precipitação neste último mês não compensa a diminuição nos meses de janeiro e fevereiro.



sexta-feira, 15 de maio de 2015

Meteorologia Agrícola


As condições meteorológicas constituem um dos principais fatores que condicionam o desenvolvimento e a produção agrícolas. Em consequência, a informação agrometeorológica é da maior importância no planeamento das atividades agrícolas e na tomada de decisões da comunidade agrícola. É da competência do Instituto de preparar informação sobre as condições agrometeorológicas de cada ano agrícola, assim como desenvolver aplicações no âmbito da agroclimatologia.

Com as observações diárias da rede de estações meteorológicas do IPMA, faz-se correr diariamente o modelo do balanço hídrico e arquivam-se os valores dos diferentes parâmetros, o que permite não só uma análise em tempo real, mas também uma análise à posteriori da situação agrometeorológica dos últimos dias ou meses, assim como um tratamento estatístico com dados de vários anos. Numa atividade operacional, com utilização da informação obtida do modelo do balanço hídrico, produz o IPMA cada dez dias cartas de Portugal Continental, com indicação dos parâmetros agrometeorológicos, bem como outra informação com interesse para o sector agrícola.

No âmbito da agrometeorologia, são desenvolvidos no IPMA, vários estudos que pretendem contribuir para uma melhor compreensão da interação entre o clima, o desenvolvimento das culturas e a produção agrícola em Portugal Continental.

Trata-se de um boletim decendial, que pode ser adquirido ao Instituto, com assinatura anual ou avulso. Pode ser enviado via e-mail ou por correio normal. A informação contida neste boletim inclui:

- Informações meteorológicas sobre o estado do tempo na última década e previsões para os dez dias seguintes;
- Influência do tempo nas culturas;
- Cartas da temperatura média e da quantidade de precipitação observadas na década;
- Quadros com valores da temperatura média, precipitação, humidade relativa, velocidade média do vento, insolação, evapotranspiração potencial, e quantidade de água no solo na década em questão e comparação como os valores normais para aquela época do ano;
- Quadros com valores das temperaturas acumuladas (graus/dia) na década e desde o início dos anos agrícola e civil;
- Quadros com valores médios e extremos de temperatura mínima, máxima, relva e profundidade e humidade relativa;
- Quadros com valores mensais e semestrais dos principais parâmetros e desvios em relação à normal;
- Classificação dos meses quanto à quantidade de precipitação;
- Eventual informação útil para a década em questão.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Pólos magnéticos mudam

Um deslocamento rápido do pólo norte magnético, como o que agora se verifica, e uma queda abrupta e bastante significativa no campo magnético da Terra, que se vem acentuando nos últimos 300 anos, são fenómenos que sempre antecederam uma "inversão magnética", de que se conhece pouco.

O que se sabe é que estas mudanças de pólos magnéticos têm ocorrido algumas vezes nos últimos milhões de anos. A última aconteceu há 780 mil anos, de acordo com as evidências mostradas nos sedimentos ferromagnéticos.

O pólo norte magnético deslocou-se muito pouco desde a época em que os cientistas o localizaram pela primeira vez em 1831. Depois, em 1904, começou a avançar rumo ao nordeste a um ritmo constante de 15 km por ano. Em 1989, acelerou novamente, e em 2007 cientistas confirmaram que o pólo está agora a galopar em direcção à Sibéria a 64 km por ano.

As implicações nas áreas de navegação, tanto marítima como aeronáutica de grande porte, serão significativas, mas não drásticas, já que hoje existem meios de navegação independentes do magnetismo dos pólos. Mapas do campo magnético devem ser actualizados com mais frequência para que utilizadores de bússolas façam os ajustes cruciais do norte magnético para o verdadeiro Norte.

Desde há séculos, os navegadores usam o norte magnético para se orientar e embora os sistemas de posicionamento global tenham em grande parte substituído essas técnicas tradicionais, muitos ainda consideram as bússolas úteis para se orientar sob a água ou debaixo de terra onde não há sinal dos satélites de GPS.

Com uma inversão do campo magnético terrestre virá um enfraquecimento na capacidade da Terra em desviar os raios cósmicos. Haverá um provável aumento nos casos de cancro de todos os tipos, devido ao enorme bombardeamento de radioactividade causada pelos ventos solares, que sem o escudo de protecção se infiltrarão facilmente na atmosfera, contaminando não somente os seres vivos directamente, mas também a água e os alimentos. Não será nada em escala alarmante ou apocalíptica, mas certamente será algo a que se deverá prestar toda a atenção e cuidados necessários.

Durante esse período, o campo magnético do planeta não será nulo no seu todo, mas bastante diminuído. O maior problema ficará por conta dos buracos nesse campo causados pelas anomalias inevitáveis durante o processo de inversão.

Há, sobretudo, que prestar atenção na quantidade de sol que tomamos nos próximos mil anos.

As inversões geomagnéticas são uma área fascinante da pesquisa geofísica que continuará a ocupar físicos e geólogos durante muitos anos. A pesquisa para tentar compreender a dinâmica do nosso planeta continua. Conforme a Terra gira, o ferro fundido do seu interior é agitado e flui de forma estável durante milénios. Por alguma razão durante uma inversão magnética, algumas instabilidades causam uma interrupção da geração estável do campo magnético global, provocando uma mudança de pólos. Segundo a revista ‘Science’, o campo magnético da Terra não é tão simples como se acreditava. Além do dipolo norte-sul, existe um campo magnético mais débil e disperso pelo planeta, provavelmente gerado no núcleo externo da Terra.


Mário Gil

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